sexta-feira, 19 agosto, 2022
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‘Cavaleiro da Rosa’ reflete sobre a passagem do tempo

Tempo, memória, ilusão, realidade. A conversa com o diretor argentino Pablo Maritano roda, mas acaba sempre retornando a uma percepção do mundo repleta de melancolia. “Vivemos em um mundo que achamos conhecer, que acreditamos ser o mesmo, mas no fundo nunca o é”, ele diz.

E é a partir desse pressuposto que ele dirige uma montagem de O Cavaleiro da Rosa, no Teatro Municipal de São Paulo, que estreia nesta sexta, 5. Ele já havia encenado a ópera no mesmo palco em 2018. Mas não se trata exatamente da mesma encenação. Os cenários precisaram ser refeitos – e o diretor aproveitou para trabalhar uma nova leitura para a obra.

O Cavaleiro da Rosa estreou em 1911 e foi escrita a partir de um libreto de Hugo von Hoffmannsthal. O enredo se passa na Viena do século 18. A experiente Marechala se apaixona pelo jovem Octavian; seu primo, o barão Ochs, quer se casar com a jovem Sophie. Mas os adolescentes acabam se apaixonando – e a partir daí uma série de idas e vindas carrega a história a seu desfecho, em uma mistura de “comédia de salão com reflexões quase metafísicas”, como bem define Maritano.

Em 2018, ao falar sobre a produção, o diretor questionava-se sobre os significados que a paixão pode ter para cada personagem, abordando temas como sexualidade e convenções sociais. Esses elementos seguem presentes. Mas, quatro anos – e uma pandemia – depois, o diretor tentou explorar outras camadas. “Há um conceito diferente, ligado a mundos que somem e aparecem”, explica ele.

E isso se aplica tanto ao mundo em que vivem as personagens – uma Viena do passado recriada pela sensibilidade da Viena do início do século 20 – quanto para o conflito de cada uma das personagens.

“Nos anos 1910, quando a ópera surge, há esse olhar para o passado, mas também o fato de que esses artistas estão em um mundo que vai mudar para sempre. Logo viria a Primeira Guerra e o mundo como era então conhecido desapareceria”, lembra Maritano. “Do ponto de vista dos personagens, ele chama atenção também para o fato de que “estão diluídos no universo freudiano, em uma percepção da realidade como sonho”.

Carla Filipcic, que vive a Marechala, concorda. “As circunstâncias a levam a refletir sobre o tempo e, assim, sobre seus próprios sonhos”, diz.

O elenco conta ainda com a meio-soprano Luisa Francesconi (Octavian), a soprano Lina Mendes (Sophie), o barítono Hernán Iturralde (Ochs) e o tenor Atala Ayan (tenor italiano), entre outros. Roberto Minczuk rege a Orquestra Sinfônica Municipal e Maíra Ferreira, o Coral Paulistano.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

João Luiz Sampaio, especial para o Estadão
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