sexta-feira, 19 agosto, 2022
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O Voo da Borboleta Amarela, filme sobre o cronista Rubem Braga, tem pré-estreia no SESI de Vitória

O Voo da Borboleta Amarela, a cinebiografia que conta a história do escritor e cronista Rubem Braga, dirigido por Jorge Oliveira, com codireção de Pedro Zoca e produção de Ana Maria Rocha, já está em vários festivais de cinema na Europa, nas américas e no Brasil. Mas, antes de ser visto nesses principais eventos internacionais e nacionais, o longa-metragem tem pré-estreia marcada para os dias 7 e 8 de julho, às 19h30, em sessão privada, na terra do escritor no Espírito Santo, no Centro Cultural do SESI, na rua Tupinambás, 240, Jardim da Penha. 

O documentário foi filmado numa fazenda em Muqui, no Espírito Santo, no Rio de Janeiro e na cidade de Braga, em Portugal. A sua realização acontece graças à participação do SESI, que, mais uma vez, se junta à JCV  para trazer às telas mais uma obra do mesmo diretor dos premiadíssimos  filmes Olhar de Nise e Perdão, Mister Fiel. 

Segundo Oliveira, O Voo da Borboleta Amarela demorou cinco anos para ser produzido, além de mais dois de pesquisa para a realização do argumento e roteiro. Durante esse tempo, o diretor debruçou-se sobre as dezenas de livros de Rubem Braga, considerado o mais importante  cronista brasileiro, autor de mais de 15 mil crônicas. O resultado desse trabalho é um espetacular longa-metragem, com quase 80 minutos de duração, que conta a história de vida do escritor numa cronologia inversa, desde a sua morte, em 19 de dezembro de 1990, até a primeira crônica que escreveu aos 13 anos de idade ainda nos bancos escolares em Cachoeiro de Itapemirim.

Contar a vida desse cronista, escritor, poeta, suas aventuras amorosas e sua influência na política brasileira foi um desafio para o diretor e roteirista que contou com a participação de três atores para interpretar  o personagem  no longo período abordado no filme. O filme tem a participação especial do ex-embaixador e ator Lauro Moreira, que interpreta Rubem Braga na maturidade,  com quem tinha vários pontos em comum por ter sido próximo dele no Rio de Janeiro onde, em 1950, levou ao teatro a crônica Ai de Ti Copacabana. 

Roberto de Martin, ator que já participou de outros filmes de Jorge Oliveira, interpreta Rubem dos 50 aos 30 nos períodos mais férteis da produção literária do cronista que viveu gloriosos momentos profissionais como correspondente em Paris e como jornalista na cobertura da Segunda Guerra Mundial. O Rubem adolescente, que vive suas memórias de menino capixaba, é interpretado pelo jovem ator David Landeiro, nascido na mesma Cachoeiro do Itapemirim, terra onde nasceu o cronista.

Toda a realização e produção do filme teve  a coordenação da jornalista Ana Maria Rocha – que também montou o filme com o editor Adelson Barreto, em um trabalho hercúleo à distância, entre o Brasil e Portugal. “Foi uma experiência muito inovadora e interessante”,  afirma a jornalista. “Estou acostumada a trabalhar na ilha de edição ao lado do editor. Tivemos que ter muita disciplina por causa das diferenças de fusos horários. Era muito material audiovisual transitando pra lá e pra cá, mas foi um grande aprendizado”.

O Voo da Borboleta Amarela, título do filme, foi inspirado na crônica A Borboleta Amarela, um texto primoroso e poético sobre o simples voo de uma borboleta no centro do Rio de Janeiro. 

Uma característica muito marcante do filme é que todas as falas dos atores são textos do próprio Rubem Braga. O diretor explica que fez esta opção porque lhe pareceu óbvio que, em se tratando de um escritor, nada seria mais preciso para falar da sua vida do que ele próprio. “Obviamente isto me deu enorme trabalho na pesquisa e na escolha dos textos que fossem mais representativos. Eu escolhi mostrar o Rubem narrando a si próprio pelas suas crônicas.  Como pessoa simples, o amigo, as preferências e seu estilo de vida; o cronista possibilitando que o espectador entre no universo da escrita do Rubem. Como roteirista tive o cuidado de escolher as crônicas e costura-las com os meus textos que são interpretados pelo ator brasiliense Similião Aurélio”.

Apesar de suas vivências cosmopolitas em grandes cidades do mundo, de cargos representativos que exerceu como Embaixador em Marrocos e Cônsul no Chile, Rubem Braga nunca deixou de ser do interior, como ressalta no  filme o crítico literário capixaba Francisco Aurélio Ribeiro.  

Rubem foi um homem ligado à natureza e manteve-se fiel às suas origens, pois tinha receio que lhe escapasse a sabedoria dos homens simples da roça. Esteve sempre ligado às raízes da sua pequena Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo. E para cultivar suas raízes mantinha um apartamento numa cobertura em Ipanema com um vasto pomar, criado por Burle Max, e assim se definia com singeleza: 

‘Sou um homem do interior, tenho uma certa emoção do interior, às vezes penso que eu merecia ser goiano’.

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