quarta-feira, 10 agosto, 2022
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Festa do cinema italiano mostra o talento e a força de Ennio Morricone

marco Morricone conversa pelo Zoom, de Roma, com a reportagem do Estadão. É filho de Ennio Morricone e Maria Travia, e o assunto não poderia ser outro. O documentário de Giuseppe Tornatore sobre seu pai – Ennio, o Maestro -, que integra a programação da nona edição da 8 1/2 Festa do Cinema Italiano. O filme terá exibição neste domingo, 31, às 16h, no Espaço Itaú Augusta.

E que tal começar pela história de amor de seus pais? “Eram muito jovens quando se conheceram, em 1950. Casaram-se em 1956 e ficaram juntos até a morte dele. Mamãe foi sempre a primeira ouvinte das composições de papai. Colaborou com pesquisas e letras. Foi uma linda história de amor.”

Antes de virar doc, a parceria de Morricone com Tornatore deu origem a um livro que saiu na Itália pela HarperCollins, em 2018 – Ennio Morricone/Giuseppe Tornatore – Conversazione. O primeiro capítulo tem um título sugestivo e revelador. “A inspiração não existe.” Ennio acreditava no trabalho. Sonhava ser médico, mas o pai, um trumpetista, direcionou-o para a música. Pai de família, com mulher e filhos para sustentar, aproximou-se do audiovisual. As ligações da mulher o levaram a tocar na orquestra da RAI. Compôs a partitura para A Bíblia, No Princípio, de John Huston. “Mamãe fez toda a pesquisa na sinagoga de Roma para garantir a autenticidade da trilha, incluindo letras.”

PARCERIA

A grande parceria foi com Sergio Leone, nos spaghetti westerns. No doc, Raffaela, filha do diretor, diz que a música de Morricone é o verdadeiro diálogo dos filmes, e é verdade. Morricone criou, para Leone, o uivo do coiote, que virou marca registrada. “Só bem mais tarde, na vida, papai percebeu, como diz Nicola Piovani no filme, que a música dos filmes é a música contemporânea, a do nosso tempo.” Sobre Tornatore, ela diz que ele “teve toda liberdade para fazer o filme que queria”. E seu pai criou para ele “uma de suas mais belas trilhas, a de Cinema Paradiso”.

O repórter lembra de um concerto no Municipal do Rio. Entrevistado pelo Estadão, Morricone sentou-se na escada para conversar, enquanto as pessoas chegavam. “Papai era assim mesmo. A par de ter sido o grande artista que todo mundo reconhece, foi o melhor pai que poderíamos ter tido.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Luiz Carlos Merten, especial para o Estadão
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