segunda-feira, 15 agosto, 2022
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Pluft: elenco filmou debaixo d’água para criar efeito

Houve outro Pluft, o Fantasminha, há 60 anos. A peça de Maria Clara Machado foi escrita em 1955 e Romain Lesage fez o filme possível em 1962, com Agildo Ribeiro, o palhaço Arrelia, Cláudio Cavalcanti e Dirce Migliaccio. Rosane Svartman, que nunca esqueceu o Pluft que viu no teatro, passou a sonhar. E se ela levasse o fantasminha de Maria Clara para a tela grande?

“Começou como sonho e virou obsessão.” Programado para estrear em julho de 2020, o filme esteve pronto nesses dois anos. Pronto? “Aproveitamos esse tempo para aprimorar algumas coisas. Nenhum filme fica pronto. A gente desapega, mas sempre pensa que pode dar um toque aqui, ali.”

Pluft, o Fantasminha chega às salas nesta quinta, 21. A reportagem do Estadão visitou o set, na época das gravações. Um piscinão no Rio e outro em São Paulo. O que piscina tem a ver com fantasmas? Rosane teve a ideia que parecia maluca: “Fiz vários testes para ver como apresentar o fantasma na tela, desde os mais tradicionais, em que o fantasma é acoplado à imagem meio transparente. Não gostei”, conta. Foi aí que começou o “…E se?” Rosane começou a pensar em movimentos dentro dágua. Fez um teste, outro. Dentro d água era possível dar aos fantasmas o tipo de movimento que ela imaginava, como se estivessem soltos no espaço, voando. Surgiu a solução – filmar numa piscina, e eliminar a água na pós-produção.

Claro que havia problemas. Fabíula Nascimento, atriz até debaixo dágua, topou o desafio, idem Cleber Salgado (Pluft), escolhido num casting que teve muitos – muitos! – candidatos. Passaram por rigoroso check-up e, depois, treinamento. No set havia sempre bombeiros, ambulância, médico. Aprenderam a segurar a respiração debaixo dágua, a produzir movimentos labiais como se estivessem falando. E tudo tinha de obedecer a uma norma fundamental – nada de bolhas. “Eu uso um gorro no filme e, às vezes, a cena estava perfeita, só que o gorro mexia e saía uma bolha”, lembra Cleber Salgado, que faz o Pluft. O mais difícil, ele conta, “era manter o Pluft na horizontal debaixo dágua, mas era necessário.”

O filme todo não foi feito na piscina. Havia as cenas de Maribel, do Pirata da Perna de Pau, da taverna dos piratas. Rosane filmava tudo, muitas vezes com fundos verdes e azuis, para juntar os pedaços na pós-produção. Não era só eliminar a água?

Lola Belli diz que “embora Pluft e Maribel estejam quase sempre juntos, a gente filmava separadamente”. Ela cita a cena em que Cleber, como Pluft, a levanta na palma da mão. “Eu estava suspensa por um fio no meio do nada. Tive medo, mas tinha de disfarçar. Havia uma marcação. Olha nessa direção, mexe com a mão, fala.” Cleber era um menininho, tinha 10/11 anos. O filme demorou tanto (5, 6 anos) que ele espichou.

BRINCADEIRA

A interpretação foi outro desafio. Com as crianças, Rosane adotou a regra “Vamos brincar de…”. Crianças, em suas brincadeiras, são fingidoras. Viram princesas, jedis, e por que não um fantasminha e sua amiga? Juliano Cazarré entrou na brincadeira. “Sempre quis fazer um pirata.”

Numa cena, na praia, ele pergunta a Maribel se aquela é a casa do avô. Ela não responde. “Ele fala grosso, como pirata malvado. É a casa? e ela fica intimidada.” No intervalo entre a filmagem e o lançamento de Pluft, ocorreram duas novelas de sucesso na vida de Juliano. Amor de Mãe e, agora, Pantanal. “A gente acreditava que a novela ia fazer sucesso, mas virou um fenômeno.” Juliano faz o casca-grossa Alcides. “Estou com 41 anos, sinto-me no auge, já pedi ao escalador de elenco da Globo que me arranje outra novela na sequência.”

Cazarré tem recebido o carinho do público pelo drama que vive na realidade. Sua filha nasceu em junho, com uma doença rara. Fabíula Nascimento teve gêmeos nesse intervalo. Fala com o Estadão com um dos bebês no colo. Veio dela a ideia de fazer da mãe uma bailarina. Afinal, o pai de Pluft era artista.

A expectativa é alta. O público vai comparecer? Em casa, Rosane Svartman teve aprovação de 100%. Seus filhos adoraram, mas são suspeitos (e crescidos). Uma coisa é certa. A experiência com Tainá, A Origem, no terceiro filme da série, foi decisiva para seu envolvimento no cinema infantil. Para o futuro, sonha com mais Maria Clara Machado – quer adaptar O Cavalinho Azul, que já foi filme de Eduardo Escorel, em 1984.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Luiz Carlos Merten, especial para o Estadão
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