sexta-feira, 19 agosto, 2022
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Jocy de Oliveira mostra trechos de sua nova criação

Jocy de Oliveira ainda lidava com os primeiros impactos da pandemia quando recebeu um pacote em sua casa. Dentro dele, uma surpresa. Era o manuscrito do novo livro de Adriana Lisboa – inspirado na influência que a obra da compositora teve em sua trajetória.

Foi o ponto de partida para que Jocy colocasse no papel as ideias para sua nova criação, Realejo de Vida e Morte, da qual os principais trechos serão apresentados nos dias 1.º, 2 e 3 de julho, no Sesc Pompeia.

Em seu último trabalho, o longa-metragem Liquid Voices, Jocy experimentou um gênero que batizou de ópera cinemática. Sua obra sempre foi marcada pelo olhar não apenas para a música, com todos os elementos (texto, cena, cenários, figurinos) fazendo parte em conjunto do processo de criação. No caso, também com o cinema como referência.

Realejo de Vida e Morte também será um filme. “Não sei ao certo se será uma ópera cinemática, mas o futuro filme sem dúvida se enquadra no formato de música/vídeo, infelizmente um formato que não consta nos festivais de cinema do Brasil”, ela diz, usando o termo intersemiose, ou seja, a articulação dos signos de diferentes formas artísticas para explicar o conceito da obra.

A nova peça gira em torno de um homem e uma mulher, vividos pela soprano Gabriela Geluda e o contratenor Sávio Faschet, confinados em um mundo pós-hecatombe, um planeta abandonado. “Não importa se a destruição foi ambiental, política, por repressão, guerras, pandemias. O consumo é escasso, a vida almejada é simples e resume-se para eles ao primordial: suas memórias, seus fantasmas, os sonhos de uma juventude que incluem a música, a arte, o teatro, a liberdade do viver”, explica a compositora.

Nos concertos no Sesc Pompeia, o público terá a chance de ver “um trabalho em progresso”, com flashes musicais, imagens, sons e palavras do roteiro do futuro filme.

“O romance de Adriana Lisboa é sobre a minha obra e as minhas peças que impactaram a sua vida artística. Assim foi muito natural eu conceber uma livre adaptação para outra mídia, teatro e cinema, que Adriana, com sua sensibilidade, aprovou com entusiasmo”, diz Jocy sobre a relação entre sua nova obra e o livro.

“Meu ponto de partida foram seu romance e suas reflexões sobre meu trabalho. A explícita ambiguidade e atemporalidade do roteiro deixa perpassar uma analogia dos dias trágicos que vivemos. O resto são silêncios a serem preenchidos pela imaginação do espectador”, continua.

Atafona

Estabelece-se, assim, o que Jocy chama de circularidade, ou seja, “uma obra que gera um romance, que inspira um filme”. “O livro da Adriana é narrativo e literário. Teatro e cinema transformam a metáfora em imagem dinâmica e som. São linguagens diferentes. Adicionei personagens, como um coro que comenta, reflete, e tem premonições, como o coro na tragédia grega. As cores mais neutras do romance muitas vezes tomam tonalidades mais definidas como a escolha, como cenário, de Atafona, vilarejo no norte fluminense assombrado pela erosão causada pelo mar, que, implacável, tem engolido centenas de casas, deixando o povoado despovoado…”

Os espetáculos contam com a participação do Ensemble Jocy de Oliveira, reunindo, além de Geluda e Faschet, artistas como as sopranos Doriana Mendes e Claudia Alvarenga e as meios-sopranos Laiana Oliveira e Luciana Costa e Silva. E terão a evocação de outras obras da compositora: a começar por Realejo dos Mundos, peça estreada em 1987 e apresentada no Estádio do Remo da Lagoa para um público de quase 20 mil pessoas.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

João Luiz Sampaio, especial para o Estadão
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