sexta-feira, 24 junho, 2022
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Claire Denis brilha em Cannes com o longa ‘Stars at Noon’

É uma das mais belas vinhetas, senão a mais bela dos grandes festivais de cinema. Ao som de um trecho de O Carnaval dos Animais, de Saint-Saëns, a câmera sdobe por uma escadaria ornada de tapete vermelho que conduz são alto, e à Palma de Ouro. Este ano, para comemorar seu 75º aniversário, Cannes colocou nomes de importantes cineastas que fizeram história na Croisette. As vinhetas mudam segundo as seções e as salas, mantendo o conceito. No topo, apenas duas mulheres – Agnès Varda, que também dá nome à sala (enorme) construída por ocasião do 60º aniversário, e Jane Campion.

Thierry Frémaux, que faz a seleção, gosta de dizer que não escolhe filmes de autores por gênero – masculino, feminino -, mas pela qualidade. Em 2022, 21 filmes disputam a Palma de Ouro. Somente quatro são assassinados por mulheres, uma em codireção. Claire Denis, Kelly Reichardt, Léonor Serraille e Charlotte Vandermeersch. A imprensa adora fazer prognósticos. Em toda a história do festival, o porcentual de vencedores fica com os filmes exibidos no último dia, e até na última sessão – nessa sexta, 27. Se for o caso, Kelly Reichardt já ganhou, com Showing-Up. Em toda a história do Oscar, a Academia premiou apenas três mulheres, e uma foi errada. No ano passado, Kelly merecia mais que Chloë Zhang, por sua First Cow.

Ganhará agora? A francesa Claire Denis é uma autora de prestígio. Participa da competição com Stars at Noon. Coincidentemente, mas não é mera coincidência, a Reserva Imovision está aproveitando o holofote do festival e lança mais quatro filmes, que vem se somar aos três já disponíveis no seu streaming – Desejo e Obsessão, Minha Terra África e DEwixe a Luz do Sol Entrar. Os filmes que entram nesta quinta, 26, são Chocolate, o primeiro que ela dirigiu, Nenette et Boni, O Intruso e Bastardos.Com isso, sete dos 13 filmes de Claire – mais da metade – estarão disponíveis para o espectador brasileiro.

Stars at Noon é um filme difícil de catalogar. Aventura, romance, thriller. Uma americana, interpretada pela filha de Andie MacDowell – Margaret Qualley -, na fronteira da Nicarágua com Costa Rica. Meio jornalista, meio profissional do sexo, ela se envolve com um inglês misterioso, e romântico – Joe Alwyn -, e ambos se veem na mira de um agente da CIA, interpretado pelo brother Safdie. Como em outros momentos de sua carreira, quase todos, Claire prefere a atmosfera à narração e o corpo às explicações, sobretudo psicológicas. O filme baseia-se no romance homônimo de Denis Johnson, Estrelas ao Meio-Dia. Passsa-se na Nicarágua, em 1984, mas Claire deixa a questão da data meio vaga. O que importa é que haverá uma eleição, e existem dúvidas se ela será mesmo realizada.

Luiz Carlos Merten, especial para o Estadão
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