quarta-feira, 29 junho, 2022
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Cannes 2022: Em vídeo na abertura do festival, Zelenski exalta a esperança

Havia a expectativa de que Volodmir Zelenski, presidente da Ucrânia, participasse da abertura do Festival de Cannes, na noite desta terça, 17. Houve um oooohhhh generalizado no Grand Théâtre Lumière quando a maitresse de cerémonier, Virgine Efira, a Benedetta, anunciou, ao vivo, o que parecia apenas uma possibilidade. Zelenski entrou ao vivo para lembrar que, em 1939, o que seria o 1.º Festival de Cannes foi cancelado porque um ditador – Aldolf Hitler – iniciou uma guerra. No ano seguinte, a guerra chegou ao cinemas, genialmente satirizada por Charles Chaplin. Em O Grande Ditador, ele mostrou um pequeno barbeiro, um sósia tão perfeito que assume o lugar do ditador sem que ninguém perceba. No final, lançava uma mensagem de esperança.

A esperança é mais do que nunca necessária, disse Zelenski, quando outro ditador – Vladimir Putin, que ele não citou nominalmente – invadiu a Ucrânia e está deixando um rastro de morte. Todo dia morrem centenas de pessoas. O mundo precisa reagir, o cinema. Havia gente chorando na plateia, todo mundo aplaudiu, muitos levantaram-se. Pouco antes, o pianista Vincent Delerm pedira que a plateia o acompanhasse fazendo o coro numa canção Johnny Halliday – Que je taime, o público deveria repetir quatro vezes, enquanto na tela apareciam imagens de beijos. O que o mundo precisa é de amor, solidariedade.

Forest Whitaker, que recebeu uma Palme dOr dHonneur, foi grandioso dizendo que, mais que nunca, o cinema deve ser um instrumento do humanismo. Foi aplaudido de pé. A presença, no telão, de Zelenski somou-se a outros gestos de Cannes nessa 75ª edição do festival.

Da seleção participa Kirill Serebrennikov, com A Mulher de Tchaikovsky. Opositor de Putin, ele foi condenado, num processo considerado fraudado, a ficar condenado em casa. Conseguiu sair e agora está na Alemanha. De última hora, o festival incluiu na seleção Mariupolis 2. Em 2016, o documentarista Mantas Kvedaravicius havia mostrado em Cannes Mariupolis, sobre a guerra de 2014 na Ucrânia. Em abril, ele voltou à cidade para filmar a nova guerra. Foi morto a tiros por soldados russos, a câmera na mão. Cahiers du Cinéma presta-lhe homenagem na edição de maio. Celebra o pacto de Mantas com o real. O filme que ele deixou inacabado foi montado por sua companheira, que virá apresentá-lo e debater com o público o que se passa atualmente na Ucrânia.

Luiz Carlos Merten, especial para o Estadão
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