terça-feira, 28 junho, 2022
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‘Inverno’ é longa nacional inspirado em clássicos do terror

Renato Góes viveu momentos de intensa emoção na semana passada. Quando foi chamado para fazer a nova versão da novela Pantanal, ele embarcou no projeto com alguma apreensão. “Sempre que inicio um trabalho, sinto um friozinho na barriga, mas, nesse caso, ainda mais. Afinal, foi uma novela mítica, que vi e revi.” Para interpretar Zé Leôncio, ele repetiu o que sempre faz. Preparou-se: “Fui uns 20 dias antes para o Pantanal, para me acostumar com a paisagem, lidar com os cavalos, essas coisas. Não podia falsear”.

A emoção de verdade veio quando recebeu uma mensagem de Paulo Gorgulho, o Zé Leôncio anterior, cumprimentando-o pela forma como está dando vida ao personagem que ele criou. Renato ainda estava gravando a novela no começo de março. A estreia na semana passada praticamente coincide com o lançamento, nesta terça, 5, do longa que ele fez com Paulo Fontenelle. Inverno estreia no Telecine Touch, às 22h, na bandeira Première Telecine. Ele avalia: “Isso tem ocorrido na minha carreira. Cinema e TV se nutrem, e me nutrem”. No começo da pandemia, praticamente estrearam juntos a novela Órfãos da Terra e o longa de Marcos Prado, Macabro, em que fazia policial que caçava dois irmãos, assassinos seriais, na região serrana do Estado do Rio.

Foi curiosa a gênese de Inverno. Renato deveria fazer um filme com Paulo Fontenelle, o diretor de Lóki. Mostrou-lhe o roteiro escrito por sua mulher. “A Thaila (Ayala) gosta de escrever. Criou essa história que tem tudo a ver com o momento atual que ainda estamos vivendo. É sobre casal isolado numa casa, durante a pandemia.” Chega uma amiga dela para morar com eles.” O nome da amiga consta de uma lista de mortos da covid-19 e a mulher vive o trauma das consequências de um aborto. “Mostrei a história para o Paulo e, por uma série de circunstâncias, nosso projeto mudou. Em dois meses, estávamos rodando Inverno, deixando o outro para depois.” A produção doméstica foi rodada na própria casa de Thaila e Renato. A casa, muitas vezes filmada à noite, vira personagem. “Fizemos uma reforma e ela mudou bastante, para desanuviar o clima.”

A casa localiza-se em Itanhangá, bairro do Rio. Cinema de gênero. “A Thaila sabe tudo de cinema de horror e o Paulo trouxe as referências dele, filmes como O Bebê de Rosemary (de Roman Polanski) e O Iluminado (de Stanley Kubrick).” Em ambos, como em Inverno, o apartamento e o hotel são personagens. Renato não cita, mas há um terceiro filme, Os Outros, de Alejandro Amenábar. Quem eram os mortos na casa de Nicole Kidman, durante a Guerra Civil espanhola? Quem são agora os… Olha o spoiler!

Como filme de clima, Inverno recorre a muito claro/escuro e a planos que criam efeitos geométricos para isolar os personagens no quadro. Fotografia caprichada – de Breno Cunha. “Já tenho estrada, venho de Cidade de Deus e fui fotógrafo em Amor de Mãe, chamado justamente por causa de minha experiência no cinema. Sinceramente, não vejo muita diferença se estou fotografando para cinema ou TV. Sirvo à história e quero deixar minha marca.” Mas ele concorda com o repórter – a bela fotografia de Inverno realçaria melhor suas qualidades, a luz e a sombra, na tela do cinema. E Renato, vai tirar folga depois de Pantanal? “Não, já estou escalado para a próxima novela das 6, depois de Além da Paixão. Será Mar do Sertão. Depois de tanto tempo isolado pela pandemia, quero mais é trabalhar”, diz.

Luiz Carlos Merten, especial para o Estadão
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