quarta-feira, 29 junho, 2022
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Em ‘Belfast’, Kenneth Branagh retrata com humor a vida em meio à turbulência

Para Kenneth Branagh, é simples descrever como foi lidar com os conflitos entre protestantes e católicos na Belfast do fim dos anos 1960: a vida era feliz e, de repente, não era mais. O ator e diretor tinha apenas 8 anos quando os chamados ‘Troubles’ (nome dado ao período de conflito) colocaram vizinho contra vizinho e acabaram causando a mudança de sua família da Irlanda do Norte para a Inglaterra, transformando o então garoto para sempre. É essa história extremamente pessoal que pode dar a Branagh, famoso nos últimos anos por dirigir blockbusters como Thor, Cinderela e Assassinato no Expresso do Oriente, seu primeiro Oscar – o longa Belfast, que estreia nesta quinta no Brasil, concorre a sete estatuetas, incluindo filme, direção e roteiro original.

A ideia de falar sobre essa experiência sempre esteve em algum lugar de sua mente. Mas foi no começo da pandemia, com o Reino Unido em lockdown, que o projeto realmente foi em frente. Belfast foi uma das primeiras produções a ocupar um set depois do confinamento. “Nós começamos sem saber se filmes continuariam a ser feitos”, explicou Branagh em um painel após uma exibição para membros dos sindicatos e da Academia, em Los Angeles. “Então ver como o filme, tão específico e pessoal, tem uma conexão universal com tanta gente tem sido muito recompensador.”

Como Buddy (Jude Hill), o personagem principal de Belfast, Branagh também era um garoto protestante da classe trabalhadora, morando com o irmão (Lewis McAskie), a mãe (Caitríona Balfe) e o pai (Jamie Dornan). Como Buddy, Branagh também era muito próximo dos vizinhos e da família, especialmente do avô e da avó, interpretados por Ciarán Hinds e Judi Dench respectivamente. Mas, quando Dornan, que também é de Belfast, começou a fazer perguntas sobre seu pai, Branagh respondeu que preferia que o ator pensasse em seu próprio pai.

INFÂNCIA

Segundo o cineasta, durante a filmagem e depois das exibições, muitas pessoas vieram lhe contar histórias de suas infâncias. “Fico feliz de dizer que, no fim, o filme é menos minha história e mais uma história coletiva, completada pela reação do público. Parece que ele consegue trazer à tona muitas emoções.”

O longa começa mostrando esse senso de comunidade, com crianças brincando na rua, vizinhos conversando na calçada. Mas, de repente, a bagunça divertida é substituída pela violência, com pedradas e pauladas. A cena é apresentada pelo ponto de vista de Buddy, com a câmera girando em torno dele duas vezes. “Eu queria dar a sensação de que, naquele momento, a vida do menino vira de ponta-cabeça”, disse Branagh. A partir dali, qualquer saída à rua era marcada pela tensão, e a opção de se mudar entra nas conversas da família.

Mas o diretor não queria fazer um filme sombrio, nem sério. Estão presentes as brincadeiras e as idas ao cinema com a avó, momentos em que o longa, rodado em preto e branco, explode em cores technicolor, seja com Mil Anos Antes de Cristo ou O Calhambeque Mágico. A relação entre Mãe e Pai reflete a dos pais de Branagh, vibrante e vital, marcada pela música, como na cena em que Dornan canta Everlasting Love. “Por causa da pandemia, pedimos ao Jamie para fazer um teste de sua casa. Eu secretamente queria que ele fracassasse, porque não dá: o cara é um astro, é lindo, gente boa”, disse, em tom de brincadeira, o supervisor de som Simon Chase. A gravação era perfeita e pode ser ouvida no filme, que aposta nesse espírito de celebrar a vida e tentar ser feliz mesmo em períodos de turbulência para abocanhar alguns Oscars.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Mariane Morisawa, especial para o Estadão
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