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No Dia da Consciência Negra, mostras trazem maiores nomes da cultura africana
Conteúdo editorial fornecido por Estadão

No Dia da Consciência Negra, duas grandes exposições lembram a contribuição os povos africanos para o desenvolvimento da cultura brasileira. No Sesc Belenzinho, a mostra AquiAfrica, que tem como curadora Adelina von Fürstenberg, reúne 13 artistas africanos contemporâneos mundialmente consagrados.

Dois deles vieram ao Brasil para produzir seus trabalhos. Barthélémy Toguo, de 48 anos, é autor da monumental instalação Estrada para o Exílio, barco com 8 metros de comprimento montado sobre o vidro que cobre a piscina da unidade do Sesc. Outro é o senegalês Omar Ba, de 38 anos, que recorre a uma linguagem simbólica para construir a obra O Muro, crítica aos senhores da política na África. Trata-se de um muro com três metros de altura, feito com cerca de 600 caixas de papelão, pintadas de preto.

A outra exposição, no Museu Afro Brasil, Deoscoredes Maximiliano dos Santos. O Universo de um Alapini Asipá, reúne 50 obras de Mestre Didi (1917-2013), escultor que dedicou toda a sua vida à cultura afro-brasileira, publicando muitos livros sobre o culto dos ancestrais, no qual tinha o honroso cargo de Alapini. Mestre Didi era um sacerdote artista, que trabalhou em sua obra as relações entre sua ancestralidade e a cultura baiana, integrando a cultura nagô à experiência existencial como mensageiro dos orixás.

Na exposição do Sesc Belenzinho, AquiAfrica, além de Barthélémy Togo e Omar Ba, outros importantes artistas africanos participam com vídeos, fotos, pinturas, desenhos, esculturas e filmes. O cineasta Abderrahmane Sissako, de 54 anos, nascido na Mauritânia, mostra um curta, Dignité (2008) que integra um longa sobre direitos humanos. Sissako é diretor do aclamado Timbuktu (2014) selecionado entre os concorrentes da Palma de Ouro em Cannes e do Oscar no ano passado (não ganhou nenhum dos dois prêmios).

Além de Sussako, outro cineasta presente na exposição AquiAfrica é o premiado Idrissa Ouedraogo, de 61 anos, nascido em Burkina Faso, onde vive até hoje. Premiado pela crítica no Festival de Cannes de 1989 pelo filme Yaaba, Ouedraogo mostra em São Paulo o curta A Longa Caminhada do Camaleão, episódio do longa Then and Now.

Uma das participações mais emocionantes é a do fotógrafo nigeriano J.D. Okhai Ojeikere, morto no ano passado, aos 84 anos. A curadora selecionou uma série que faz parte do acervo de grandes instituições internacionais, como a Tate Modern. São seis de uma série de 100 fotos com os penteados esculturais das nigerianas.

Também fotógrafo, Kudzanai Chiurai, nascido há 34 anos no Zimbabwe, mostra sua série O Parlamento, que retrata personagens fictícios de um gabinete governamentral, uma representação paródica que associa machismo a poder político.

O congolês Rigobert Nimi, de 50 anos, mostra sua escultura Vênus (2001), que combina diversos materiais, do ferro ao aço, passando pelo alumínio, o cobre e o plástico. Seu unverso é o da ficção científica intermediada por figuras de desenhos animados. Nimi trabalha com materiais reciclados e seus trabalhos costuma ter dimensões pantagruélicas.

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