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União Europeia avança em acordo com Mercosul em meio à resistência da França

Vitória News 03/09/2025 08:54

A Comissão Europeia vai apresentar nesta quarta-feira (3) o acordo de livre comércio firmado com o Mercosul para aprovação, em um movimento que coloca a Alemanha e outros países em confronto direto com a França, principal opositor da proposta. O tratado envolve os quatro países sul-americanos — Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — e foi concluído em dezembro passado, após 25 anos de negociações.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Caminho para aprovação na União Europeia

O texto precisa ser aprovado em duas etapas: votação no Parlamento Europeu e aprovação por maioria qualificada entre os governos do bloco, ou seja, pelo menos 15 dos 27 países, representando 65% da população da UE. No entanto, não há garantias de vitória em nenhuma das frentes.

Os defensores do tratado, como Alemanha e Espanha, afirmam que ele é estratégico para compensar perdas provocadas pelas tarifas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e reduzir a dependência da China, especialmente em minerais essenciais. O acordo é considerado o maior já firmado pela União Europeia em termos de reduções tarifárias.

Argumentos contra o tratado

A França lidera a oposição, alegando riscos para seus agricultores, especialmente produtores de carne bovina, setor no qual é o maior da Europa. O governo francês classificou o texto como “inaceitável”. Agricultores europeus vêm realizando protestos, alegando que o acordo abriria espaço para importações de baixo custo vindas da América do Sul, sem atender aos padrões ambientais e de segurança alimentar exigidos no bloco. A Comissão Europeia rejeita essa crítica.

SESC PICASSO

Organizações ambientalistas, como a Friends of the Earth, também se colocam contra, chamando o tratado de “destruidor do clima”. A oposição pode ganhar ainda mais força caso Polônia e Itália se alinhem à França, o que poderia inviabilizar a maioria necessária para aprovação.

Apoio e expectativas de mercado

Para os países favoráveis, o Mercosul representa um mercado em expansão para setores estratégicos da indústria europeia, como automóveis, máquinas e produtos químicos. Além disso, o acordo garantiria acesso mais competitivo a minerais essenciais, como o lítio usado em baterias, atualmente dominado pela China.

CONTADOR - BONUS

No setor agrícola, a União Europeia projeta ganhos expressivos com a abertura de mercado para produtos como queijos, vinhos e presuntos, que poderiam chegar com tarifas reduzidas aos consumidores sul-americanos.

Contexto global

Desde a reeleição de Trump, em novembro passado, a União Europeia intensificou sua política de diversificação comercial, acelerando negociações com Índia, Indonésia e Emirados Árabes Unidos, além de aprofundar parcerias com Reino Unido, Canadá e Japão. Nesse cenário, o tratado com o Mercosul é visto como peça central para fortalecer a posição europeia no comércio internacional.

O próximo passo é saber se os defensores conseguirão neutralizar a resistência francesa e de seus aliados, viabilizando a aprovação de um acordo que pode redefinir as relações econômicas entre a América do Sul e a Europa.

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