Um mês após tragédia, população em abrigos no RS é maior que 90% dos municípios do estado

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Rio Grande do Sul tem mais de 630 mil pessoas fora de suas casas após as chuvas que deixaram ao menos 169 mortos e que completam um mês nesta quarta-feira (29). Até as 9h de terça (28) havia 48.789 pessoas em abrigos e 581.638 desalojadas, segundo os números mais recentes do governo do estado.

Os registros também contam 806 feridos entre 2.345.400 de afetados no estado. Milhares de pessoas ainda estão sem energia elétrica, e ao menos nos registros, o abastecimento de água no estado feito pela Corsan foi normalizado.

Em Porto Alegre, o acúmulo de lixo e partículas na água tem dificultado o tratamento de água, segundo o Dmae (Departamento Municipal de Água e Esgotos).

Embora desabrigados e desalojados tenham deixado suas casas, danificadas ou não, o primeiro grupo se diferencia por precisar ficar em abrigos temporários. Esse número atingiu seu pico em 12 de maio, com 81.200 pessoas abrigadas.

A quantidade mais recente de pessoas nessa situação (48.789), informada às 18h de terça pelo governo do RS, é maior que as populações de 451 cidades do estado, que tem 497 municípios ao todo –o que representa 90% das cidades gaúchas.

Já os 581 mil desalojados representam 5,3% dos 10.882.965 habitantes do Rio Grande do Sul, segundo dados do Censo Demográfico de 2022. O pico de desalojados foi em 23 de maio, com 581.643 pessoas fora de casa.

Mas deixar a própria residência, mesmo para buscar segurança nas casas de parentes ou amigos, é uma decisão delicada. Na segunda semana de maio, moradores do centro de Porto Alegre, por exemplo, ponderavam a escolha em meio a incertezas.

A decisão era tomada, muitas vezes, por causa da falta de previsão de retorno de luz e água. Por outro lado, as pessoas acabavam seguindo o movimento de vizinhos que deixavam as casas.

De acordo com informações da Corsan no boletim do governo, não há mais afetados por falta d’água nas 317 cidades do RS abastecidas pela companhia. Em 22 de maio, a empresa, que começou a ser operada pela Aegea no ano passado, informou ao estado que solucionava problemas em pontos específicos.

As pessoas sem água nas torneiras chegaram a 1 milhão em 4 de maio, ainda na primeira semana de temporais, data com 55 mortes confirmadas. Naquele dia, o nível do lago Guaíba chegou a 5,29 metros de altura, e ainda seguia em elevação. Às 19h desta terça, o sistema do Departamento de Recursos Hídricos e Saneamento do governo apontava 3,81 metros.

Ainda, 114.733 pessoas estavam sem energia elétrica até as 18h desta terça, a horas de a tragédia completar um mês. Os dados do boletim diário do governo do RS somam o público atendido pelas concessionárias CEEE Equatorial e RGE Sul. O número chegou a 459.063 clientes no estado em 8 de maio.

Em Porto Alegre, 15 mil pessoas ainda estão sem energia, segundo a CEEE Equatorial, após a interrupção do fornecimento por segurança. A companhia diz que faz inspeções periódicas para restabelecer o serviço onde for possível.

Como mostrou reportagem da Folha de S.Paulo, moradores começam a voltar para suas casas enquanto parte dos bairros ainda está alagada.

Outro problema é a interrupção de telefonia e internet, situação que persiste em uma das cidades afetadas desde o início das chuvas. O pico foi em 4 de maio, com 186 municípios sem os serviços, restabelecidos ao longo dos dias pelas empresas Tim, Vivo e Claro.

Com 4.601 habitantes, Muçum, a 115 km da capital gaúcha, ainda não teve o serviço retomado. A Vivo, responsável pela operação, afirmou que ainda há instabilidade temporária no município, mas que os clientes podem usar telefone e internet nos celulares até o restabelecimento.

“Para usar a tecnologia, é preciso ativar nos aparelhos celulares a opção Roaming e Seleção Automática de Operadora.”

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