Um ano após a morte de Rita Lee, relembre sua trajetória através de suas músicas

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Rita Lee, rainha do rock brasileiro, morreu há um ano. Fãs da cantora, no entanto, alcançam a data com ao menos duas boas notícias. Uma delas é que “Rita Lee – Uma Autobiografia Musical”, em que Mel Lisboa volta a viver a artista, que estreou em São Paulo já com os ingressos de todas as datas esgotados.

A outra é a decisão de seu viúvo, Roberto de Carvalho, musicar letras inéditas da cantora. Nesta manhã, ele também marcou o aniversário da morte de Rita com uma mensagem. “Sangra meu coração e depois, por favor, me acalma. Traga de volta minha alma. Atenua essa vontade de partir. Tanto amor não pode terminar em dor Vou juntar muita coragem para a última viagem até você. Até sempre, meu amor”, escreveu nas redes sociais.

Relembre a trajetória de Rita Lee tendo como guia algumas de suas músicas mais marcantes.

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PANIS ET CIRCENSES

Quando adolescente, Rita participou de diferentes conjuntos, cantando e tentando tocar instrumentos, até chegar ao quarteto de meninas Teenage Singers. Em um festival no teatro João Caetano, em 1964, as quatro conheceram os meninos do Wooden Faces, do qual fazia parte Arnaldo Baptista. Rita e Arnaldo, os dois com 16 anos começaram a namorar e, com o tempo, as bandas se uniram.

O novo grupo começou como Six Sided Rockers, e passou por trocas de nome e de integrantes até se tornar “Os Bruxos”, com Rita Lee, principal vocalista e percussionista, e os irmãos Arnaldo Baptista —no vocal, no teclado e no baixo, e Sérgio Dias— no vocal e na guitarra.

Passariam a se chamar “Os Mutantes” após a se tornarem a banda fixa do programa “O Pequeno Mundo de Ronnie Von”, da Record, por sugestão do apresentador. O primeiro álbum do grupo, de junho de 1968, levava seu nome e trazia a faixa “Panis et Circenses”, que se tornaria um clássico ao declamar que “as pessoas da sala de jantar estão ocupadas em nascer e morrer”.

Um mês depois, a faixa reapareceria no álbum “Tropicália ou Panis et Circenses”, grande marco do tropicalismo.

Disponível em: https://youtu.be/gfs9DC4GNr0

MAMÃE NATUREZA

Rita Lee esteve com Os Mutantes até 1972, quando, após anos de apresentações, turnês e participações em programas, Rita foi expulsa dos Mutantes. Seu casamento com Arnaldo Batista acabou junto com a formação tradicional do grupo. Da raiva e da depressão, emergiu a ânsia de provar que, apesar de “o clube do Bolinha dizer que, para fazer rock, era preciso ter colhão, também dava para fazer com útero, ovários e sem sotaque feminista clichê”.

Compôs “Mamãe Natureza”, que falava das incertezas pós-Mutantes: “Não sei se eu estou pirando/ Ou se as coisas estão melhorando/ Não sei se vou ter algum dinheiro/ Ou se eu só vou cantar no chuveiro”. A música lhe deu a certeza de que conseguia compor, fazer arranjos, cantar e tocar sozinha. Ela não estava pirando em seguir carreira solo e logo ia ter “algum dinheiro”. A faixa saiu em “Atrás do Porto Tem uma Cidade”, de 1974.

Disponível em : https://youtu.be/q7D72TLzhoo

OVELHA NEGRA

Rita formou, pós-Mutantes, a banda Tutti Frutti. Alugou uma casa na represa Guarapiranga para a sua comunidade de sexo, drogas e rock’n’roll. Em 1975, o disco “Fruto Proibido” marcou a nova fase da cantora e uma ruptura na música brasileira.

Com capa cor-de-rosa e canções com temática feminina, como “Luz Del Fuego”, “Ovelha Negra” e “Agora Só Falta Você”, mostrou que era, sim, coisa de mulher “Esse Tal de Roquenrou”, outro sucesso do LP.

Disponível em: https://youtu.be/nGvYKmFHOtA

MANIA DE VOCÊ

Em 1976, foi presa por porte de drogas, em um raro momento que estava sóbria. Rita estava no terceiro mês de gravidez de um namorado recente, Roberto de Carvalho, baterista da banda de Ney Matogrosso. A polícia “plantou” maconha na cantora, que foi presa. Nessa época, pôde contar com a compaixão de Elis Regina, que a visitou na prisão. O episódio atenuou rusgas entre a MPB e a guitarra.

Roberto foi morar com Rita, e vivenciaria ao seu lado a gravidez e o nascimento do primeiro filho sob prisão domiciliar. Após o nascimento do primeiro dos três filhos do casal, Rita deixou os Tutti Frutti e iniciou com o marido a terceira fase de sua carreira, que seria a definitiva e a mais bem-sucedida. Entre o final dos anos 1970 e início dos 1980, explodiu com uma trilha sonora autobiográfica do casal apaixonado, em que uma mulher pela primeira vez cantava sem pudor sobre desejos sexuais.

Em uma sequência de hits que fariam dela um fenômeno do mercado fonográfico, convidava o parceiro para relaxar na banheira, sem culpa nenhuma, em “Banho de Espuma”. A vestir fantasias e tirar a roupa, molhada de suor de tanto se beijar em “Mania de Você”. A ficar de quatro e exigir: “vê se me dá o prazer de ter prazer comigo” em “Lança Perfume”.

Disponível em: https://youtu.be/Ryrs2YCiD5Y

REZA

Em 1991, recebeu um ultimato de Roberto em relação a álcool e drogas e foi morar sozinha. Em seu sítio, trocava legumes por receitas de tarja preta. Certo dia, de tão chapada, despencou da varanda, teve o maxilar esfacelado e perdeu 40% da audição do ouvido direito. Roberto cuidou de sua recuperação.

Quando ela tirou os pontos e conseguiu cantar “Mania de Você”, ele a pediu em casamento. Ainda enfrentariam muitas recaídas de Rita, até que ela tomasse uma decisão mais firme de ficar “careta” a partir do nascimento da primeira neta, em 2005.

Foi o que deu tranquilidade à “vovó do rock” nos últimos anos. Após a aposentadoria dos palcos, em 2013, viveu com Roberto em uma casa de campo onde pintava, cozinhava, escrevia e cuidava dos bichos de estimação que lhe fizeram companhia pela vida toda. Ativista da causa animal, teve de tudo, de cães e gatos a jiboia e jaguatirica.

Em 2012, às vésperas de se aposentar, lançou o álbum “Reza” e a faixa de mesmo nome.

Disponível em: https://youtu.be/pmOrZ5hvcoE

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