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UE recua de suspeita sobre interferência russa em voo de Von der Leyen

FolhaPress 05/09/2025 13:25

BERLIM, ALEMANHA (FOLHAPRESS) - A União Europeia recuou da suspeita de que a Rússia poderia ter interferido no sistema de GPS do avião que levava Ursula von der Leyen no último fim de semana. O fato, antecipado pelo Financial Times na última segunda-feira (1°), ganhou repercussão internacional, pois a presidente da Comissão Europeia fazia um périplo pela "linha de frente" russa, como descrito pela UE.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Em quatro dias, ela visitou sete países que fazem fronteira ou estão na órbita de propalados ataques híbridos de Moscou. Foi a maior e mais ostensiva ofensiva diplomática de Von der Leyen desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, em 2022, dias depois da tentativa de mediação do conflito promovida pelo presidente americano, Donald Trump, mostrar-se um fracasso.

O incidente ocorreu no domingo (31), quando a aeronave fretada de Von der Leyen perdeu o sistema de navegação no ar e, segundo o relato do jornal britânico, teria apelado até a mapas de papel para conseguir pousar em Plovdiv, na Bulgária.

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"Podemos confirmar que houve bloqueio do GPS, mas o avião pousou em segurança. Recebemos informações das autoridades búlgaras de que elas suspeitam que isso tenha sido causado por uma interferência flagrante da Rússia", declarou um porta-voz da União Europeia na esteira da publicação da notícia.

Sites de aviação e aplicativos que monitoram voos, porém, logo começaram a contestar a versão. Segundo dados divulgados pelo Flightradar24, o voo de Von der Leyen não teria perdido o sinal de GPS e seu atraso teria sido de apenas nove minutos, em forte contraste ao relato publicado pelo jornal britânico, segundo o qual o piloto circulou a região do aeroporto por uma hora antes de decidir pousar.

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Autoridades búlgaras, que chegaram a confirmar o incidente na segunda, relataram depois que o controle de tráfego aéreo local ofereceu sistemas alternativos, segundo documento obtido pelo site Político. O primeiro-ministro do país, Rosen Zhelyazkov, acabou minimizando ainda mais o ocorrido ao declarar que o problema não seria investigado, "pois não foi ataque híbrido ou cibernético".

Os relatos contraditórios ganharam muita repercussão nas redes sociais, em que Von der Leyen é alvo frequente de populistas e da extrema direita europeia, parte dela bastante próxima a Moscou. Em julho, a conservadora alemã sobreviveu com folga a uma moção de censura no Parlamento Europeu, mas uma nova tentativa já está em gestação para os próximos meses.

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Pressionada por jornalistas, a chefe de imprensa da UE, Paula Pinho, buscou sustentar as declarações anteriores de sua equipe, afirmando que "houve interferência no GPS". A acusação direta à Rússia, porém, foi substituída por uma menção mais genérica de que episódios de interferência em sistemas de navegação "cresceram notavelmente" desde o advento da guerra na Ucrânia.

Na segunda-feira, Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin, declarou ao Financial Times que a informação "era um erro". O episódio constrange o bloco em uma semana de acirramento retórico. Nesta sexta-feira (5), o presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou que forças ocidentais de paz, plano propagado por Von der Leyen e Emmanuel Macron, entre outros, serão consideradas "alvo legítimo" na Ucrânia.

Agências europeias de aviação informaram que iniciaram uma investigação sobre a interferência no voo da comitiva da UE, mas que ainda aguardam informações das autoridades búlgaras.

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