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Turquia prende comediante e rapper após piada com ditado islâmico

FolhaPress 24/09/2025 10:24

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Turquia prendeu na noite desta terça-feira (24) o comediante Boğaç Soydemir e o rapper Enes Akgündüz após eles serem acusados de incitação ao ódio por uma piada com um ditado do profeta Maomé durante a exibição de um programa no YouTube.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A polêmica começou quando Soydemir, dono do canal "Soğuk Savaş", ou "Guerra Fria", que tem cerca de 1,5 milhão de inscritos, leu um trocadilho de cunho sexual com a frase "o álcool é a mãe de todos os males", enviado por um espectador durante o programa intitulado "Se Rir, Perde".

Durante a atração, o apresentador e seus convidados costumam falar trocadilhos um ao outro. No programa em questão, Soydemir perguntou a Akgündüz: "O que você diz a alguém que afirma que o álcool é a mãe de todos os males?". A resposta, continuou o comediante, seria: "Sem problemas, eu adoro MILFs, cara", uma sigla em inglês para "mães com quem eu gostaria de transar".

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A piada foi vista por críticos como um insulto a um hadith, como são chamados os ditos e atos de Maomé que servem de base para a crença islâmica. Após a repercussão, Soydemir e Akgündüz se desculparam e o apresentador removeu do programa o trecho que gerou críticas.

"Normalmente, tento ser sensível com minhas próprias piadas. No entanto, estávamos passando pelas piadas da plateia na ocasião, e foi quando a li pela primeira vez", afirmou o comediante em suas redes sociais. "Pensei que fosse um trocadilho simples, mas deveria ter pensado melhor. Só percebi depois que meus amigos me contaram. Vocês têm razão. Peço desculpas."

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Promotores argumentaram, no entanto, que o comentário poderia provocar hostilidade por motivos religiosos e os acusaram de "incitação ao ódio e à inimizade ou insulto a um segmento do público". De acordo com a imprensa local, eles foram detidos por ordem do Ministério Público e encaminhados a um tribunal de Istambul, onde negaram irregularidades. Mesmo assim, a corte manteve a prisão de ambos.

Há anos críticos afirmam que o presidente Recep Tayyip Erdogan, no poder há mais de 20 anos, mina os freios e contrapesos da democracia turca. O político comanda o país desde 2003, com mandatos de primeiro-ministro e depois de presidente.

A Turquia era uma democracia parlamentar desde sua criação, em 1923, mas Erdogan mudou isso em 2017, adotando o sistema presidencialista. Com isso, o presidente é o chefe de Estado e exerce o poder Executivo, com a possibilidade de dois mandatos consecutivos de cinco anos. Já o posto de primeiro-ministro foi abolido.

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A mais recente ofensiva do governo foi a prisão de quatro cartunistas do semanário satírico Leman por causa de um cartoon que teria retratado os profetas Maomé e Moisés e que o presidente descreveu como uma "provocação vil".

Antes disso, em março deste ano, o país prendeu centenas de pessoas que protestaram contra a prisão do prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, que foi detido sob acusações de corrupção que ele nega. Principal rival de Erdogan, o popular prefeito era considerado por muitos o único político capaz de derrotar o presidente nas eleições de 2028.

Durante as manifestações, diversos jornalistas foram presos, o que a ONG Repórteres Sem Fronteiras qualificou de uma medida escandalosa que refletia "uma situação muito grave em curso na Turquia".

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