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Trump vê paz na Ucrânia próxima, mas entraves persistem

FolhaPress 15/12/2025 20:12

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O esforço diplomático dos Estados Unidos para chegar a um cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia começou uma semana decisiva nesta segunda-feira (15), com o presidente Donald Trump afirmando que a chance de paz "está mais próxima do que nunca".

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Diferentemente de outras ocasiões, seu usual otimismo foi partilhado pela sempre cética Alemanha, cujo primeiro-ministro Friedrich Merz afirmou a mesma coisa em meio a uma série de reuniões sobre o tema em seu país.

Ao longo do dia, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, reuniu-se com os negociadores americanos Steve Witkoff e Jared Kushner -o segundo um dos genros de Trump e encarregado de azeitar negócios para a família. Trump falou com eles remotamente, assim como com os líderes do continente.

Depois, reuniu-se com Merz e outras autoridades alemãs, encerrando o dia em um jantar que reuniu toda a a turma mais uma cornucópia de líderes europeus: de Itália, Suécia, Noruega, Dinamarca, França, Holanda, Finlândia e Polônia, além dos chefes da aliança militar Otan e da Comissão Europeia.

Antes do evento, um comunicado conjunto elogiou o "progresso significativo" nas conversas e o esforço de Trump, que fez seus comentários róseos depois.

O texto voltou a falar sobre a questão das garantias de seguranças, sugerindo uma "força multinacional liderada pela Europa para assistir na regeneração das forças da Ucrânia, salvaguardando os céus o país e apoiando seu ativos navais".

SESC PICASSO

Aqui começam os entraves ao otimismo generalizado. A Rússia não aceita a presença de estrangeiros no vizinho, até porque o invadiu entre outras coisas para impedir que a Ucrânia aderisse à Otan.

Já Zelenski, em declarações mais cedo, disse esperar algum tipo de garantia análoga ao artigo 5 da carta da Otan, que prevê assistência de todos os membros da aliança em caso de ataque a um deles. Novamente, isso é algo que não convence o Kremlin.

O ucraniano, na primeira rodada com Witkoff e Kushner em Berlim no domingo (14), havia concedido não pleitear a vaga na Otan caso houvesse garantias robustas de que Putin não iria mais atacar. A ideia de uma força de paz europeia foi levantada no ano passado pelo presidente francês, Emmanuel Macron, que recebeu em troca a ameaça de uma guerra nuclear por parte do russo.

Outro ponto nevrálgico é terra. Putin quer todo o Donbass, composto pela já ocupada Lugansk e por Donetsk, da qual Kiev ainda retém cerca de 20%. Zelenski já admitiu perder território, mas está sob forte pressão doméstica, piorada por um escândalo grande de corrupção.

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Nesta segunda, foi divulgada uma pesquisa da Escola de Economia Internacional de Kiev segundo a qual 75% dos ucranianos são contra a entrega daquela região no leste do país. Trump adotou a visão de Putin e pressiona por isso, ainda que tenha sugerido a criação de uma zona-tampão nos territórios hoje sob controle de Zelenski.

Nem a União Europeia acredita muito nesse compromisso de lado a lado. Sua chefe diplomática, a estoniana Kaja Kallas, disse antes de uma reunião de chanceleres nesta segunda que "Putin não irá parar" caso o Donbass seja entregue.

As duas províncias se somam às meridionais Zaporíjia e Kherson na lista de demandas do russo. Em negociações anteriores, inclusive na proposta inicial que os EUA desenharam com a Rússia, a demarcação seria a atual linha de frente de batalha.

"Está claro que em qualquer acordo, nada está acertado até tudo estar acertado", disseram os líderes europeus em seu texto. Mais cedo o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, havia dito que a questão de Kiev estar fora da Otan era central para Moscou, mas mesmo isso demandava "consultas especiais".

Trump trabalha para uma paz até o Natal, diz Zelenski. Mas além dos problemas à mesa, há também questões adicionais para azedar o clima.

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Na quinta (18), os líderes europeus se reúnem novamente para discutir o espinhoso tema da tomada de quase R$ 1,3 trilhão de reservas russas congeladas no espaço da União Europeia, a maior parte na Bélgica.

Os valores serviriam de lastro para um empréstimo que custearia o governo de Kiev por dois anos, mas mesmo Bruxelas protesta contra o acerto, prevendo questionamentos legais e o fato de que uma eventual paz deixará a conta das garantias para países europeus.

Uma corte em Moscou abriu um processo a pedido do Banco Central russo para declarar a medida um roubo. Na prática, isso não muda os procedimentos europeus, mas pode servir de base para ações em organismos financeiros internacionais.

Há temores mais amplos: a tomada dos valores fará países com depósitos em bancos e instituições financeiras da Europa pensarem duas vezes antes de manter seu dinheiro lá. Já o premiê Merz disse que a reputação da UE estará em jogo se não fizer uso dos recursos.

RESERVAS RUSSAS CONGELADAS (€ BILHÕES)

UNIÃO EUROPEIA

Bélgica - 180

França - 19

Luxemburgo (*) - 10

Alemanha - 0,2

OUTROS PAÍSES

Japão - 28,1

Reino Unido - 26,6

Canadá - 15,1

Suíça - 6,2

Estados Unidos - 4,3

TOTAL - 289,5

(*) Estimativa

_Fonte: Serviço de Estudos do Parlamento Europeu_

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