Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 09h10m
Vitória News — Um jornal de verdade
Exterior

Trump usa tribuna da ONU para atacar a ONU e volta a falar em ganhar Nobel da Paz

FolhaPress 23/09/2025 19:29

NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou sua fala na Assembleia-Geral das Nações Unidas nesta terça-feira (23) para atacar a ONU, exaltar o próprio retorno à Casa Branca e expressar novamente seu desejo de ser agraciado com um Nobel da Paz.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Trump disse ter sido responsável por solucionar sete conflitos ao redor do mundo —alguns de fato foram encerrados depois de mediação dos EUA, como Azerbaijão e Armênia, Camboja e Tailândia, e Índia e Paquistão. Outros continuam ocorrendo ou estão congelados, como o conflito entre a República Democrática do Congo e Ruanda, a guerra entre Israel e Irã, e a disputa entre Kosovo e Sérvia.

O sétimo, entre Egito e Etiópia, nunca chegou a ser uma guerra, tratando-se de tensões por conta de uma barragem no rio Nilo. Falando sobre os conflitos, Trump disse que a ONU não deu "nem um telefonema" para oferecer ajuda.

Foi a primeira vez que o americano se dirigiu à plateia de líderes mundiais em seu segundo mandato. Ao subir ao palco, ele foi recebido por parcas palmas. Um número grande de delegações, incluindo a do Brasil –com exceção do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski–, não o aplaudiu.

SESC PICASSO

A recepção fria, no entanto, não impediu Trump de fazer um longo discurso, ultrapassando a marca dos 57 minutos, e de explicar o que seriam lições dos EUA sob seu comando ao resto do mundo. "Chegou a hora de encerrar o experimento de fronteiras abertas. Eu sou muito bom nessas coisas. Os países de vocês estão indo para o inferno. Nos EUA, nós tomamos ações ousadas para acabar com a imigração fora de controle rapidamente."

Além da imigração, o alvo principal de Trump foi a crise climática. Ele disse que ambientalistas querem "matar todas as vacas do mundo" e que o aquecimento global seria "a maior enganação da história da humanidade".

O americano ainda defendeu estar fazendo sozinho o trabalho que a ONU deveria comandar. "É ruim que eu tive que fazer isso em vez da ONU. E, tristemente, em todos os casos a ONU nem tentou ajudar, em nenhum deles", afirmou.

CONTADOR - BONUS

"Tudo que ganhei da ONU foi uma escada rolante que parou no meio", disse, em referência a um problema com o equipamento na sede da organização. "Se a primeira-dama não estivesse em boa forma, ela teria caído. Mas ela está em boa forma, nós dois estamos", disse. "E aí, o teleprompter que não funciona. Isso são as duas coisas que ganhei da ONU, uma escada e um teleprompter ruins", afirmou, de modo sarcástico. Mais tarde, a Casa Branca insinuou que o presidente foi sabotado.

Trump também atacou o governo de seu antecessor, Joe Biden, e disse que impediu o que chamou de "invasão" de imigrantes. "A ONU não está resolvendo problemas como deveria e está criando novos problemas para que nós solucionemos. O melhor exemplo disso é o problema político número um: a crise de migração descontrolada. Está totalmente descontrolada. Os países estão sendo arruinados", afirmou.

O republicano discursou após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O Brasil tradicionalmente é o primeiro a falar durante o encontro seguido pelos EUA, por serem o país anfitrião.

Anuncio - Raimundo - Bonus

Antes da fala do presidente americano, a secretária de Imprensa de Trump, Karoline Leavitt, afirmou que ele ressaltaria o "retorno da força" do país em seu discurso. Outro ponto central seria uma "fala dura" sobre o que chamou de "fracassos do globalismo" —termo usado pela direita americana para criticar esforços de cooperação internacional e multilateralismo. Trump de fato atacou instituições internacionais além da ONU e multilateralismo, revelando visão unilateralista da política global.

Além de incluir destaque incomum para assuntos domésticos, como a segurança pública em Washington, alvo de intervenção federal de seu governo, Trump repetiu assuntos perenes de seus discursos desde a campanha de 2024, como ataques à ciência climática e a defesa de combustíveis fósseis.

Trump defendeu ainda a aplicação de tarifas comerciais como um "instrumento de defesa" e algo que sustenta a "soberania e a segurança" dos EUA.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas