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Trump baixa o tom contra a China após posse e reforça abertura para negociar

FolhaPress 25/01/2025 06:30

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ao vencer as eleições presidenciais dos Estados Unidos, Donald Trump disse que governaria sob o lema de que promessa feita é promessa cumprida.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Não era retórica -ao menos é o que indica os seus primeiros dias no governo. Empossado na segunda-feira (20), o republicano assinou durante a semana decretos relacionados a imigração, diversidade e ambiente que reproduzem quase ao pé da letra algumas de suas propostas de campanha.

Suas ameaças contra a China, no entanto, ficaram progressivamente mais fracas desde a posse. Se antes das eleições ele sugeriu implementar tarifas de até 60% sobre as importações chinesas, nesta semana ele baixou essa porcentagem para 10% -produtos do México e do Canadá devem ser taxados em 25%.

No domingo (19), antes mesmo de sua cerimônia de inauguração, o republicano impediu que o aplicativo TikTok, de matriz chinesa, fosse banido do território americano. Em vez disso, aventou a possibilidade de os EUA comprarem parte do negócio.

Mais recentemente, na quinta (23), Trump afirmou em uma participação por videoconferência no Fórum Econômico Mundial, em Davos, que a única coisa que ele deseja é um "relacionamento justo" com o país asiático.

"Só queremos um meio de campo nivelado. Não queremos tirar vantagem", disse, citando os déficits comerciais de Washington com Pequim.

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Ele ainda elogiou o dirigente do regime, Xi Jinping, com quem havia conversado por telefone na semana passada. "Sempre tivemos um relacionamento muito bom", afirmou o americano, que convidou, de forma inédita, o chinês para a sua cerimônia de posse -o líder foi representado por seu vice, Han Zheng.

As ações simbolizam a disposição de Trump de costurar um acordo alternativo à cobrança de tarifas com a China, no mais verbalizada em uma entrevista à Fox News desta semana.

Evandro Menezes de Carvalho, professor de direito internacional da UFF (Universidade Federal Fluminense) e da FGV-Rio (Fundação Getulio Vargas) e autor de "China: Tradição e Modernidade na Governança do País", diz que dois fatores podem explicar a mudança de posicionamento do americano em relação ao que ele tinha professado durante a campanha.

De um lado, no período que se passou desde o primeiro mandato do empresário, a China se tornou uma presença inescapável no cenário internacional. Ela é a maior parceira comercial de mais de cem países, domina a produção industrial global e virou um competidor formidável dos EUA em áreas antes lideradas por eles, como tecnologia.

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Esse seu aumento de poderio econômico foi acompanhado de uma maior influência no campo geopolítico. "Ou seja, não dá para os EUA tratarem a China como Trump tem tratado outros países", afirma Carvalho, lembrando o desdém com que o republicano falou sobre a relação que pretendia ter com o Brasil e com a América Latina após assumir. "Não precisamos deles", respondeu ao ser questionado sobre o assunto por uma repórter da GloboNews.

O pesquisador diz que outra explicação para o recuo é o relativo fracasso das medidas protecionistas que ele implementou em seu primeiro governo, muitas delas reforçadas por Joe Biden. "Elas não se mostraram eficazes o suficiente para conter o avanço da economia chinesa", diz.

Seja como for, Pequim, que repetiu em várias ocasiões estar disponível para negociar com Washington, respondeu positivamente à bandeira branca erguida por Trump.

Nesta sexta (24), a porta-voz da chancelaria chinesa, Mao Ning, afirmou que "apesar das diferenças, os dois países têm enormes interesses comuns e espaço para cooperação". Sobre a cobrança feita por Trump de uma relação mais justa entre americanos e chineses, ela disse que o regime "nunca buscou deliberadamente um superávit comercial com os EUA".

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O país asiático enfrenta uma grave crise no setor imobiliário, baixo consumo interno e uma taxa preocupante de desemprego entre os jovens. Segundo especialistas, o aumento das tarifas atualmente poderia ser ainda mais danoso para a nação do que quando Trump lançou sua guerra comercial contra ela, em 2018.

As sinalizações recentes não significam, porém, que as relações entre EUA e China não continuem vulneráveis. Embora um dos principais conselheiros de Trump, o bilionário Elon Musk, seja favorável aos chineses e tenha aberto fábricas de sua empresa Tesla no país, vários dos outros nomes indicados pelo republicano para compor seu governo têm posições anti-China -a começar por Marco Rubio, secretário de Estado que inclusive é alvo de sanções de Pequim.

Além disso, o novo presidente americano é sabidamente imprevisível, e também tinha coberto Xi de elogios antes de impor tarifas aos produtos chineses em seu primeiro mandato.

No mais, a redução das tensões também não significa que os EUA sob Trump não continuarão a disputar a hegemonia global com a China. Pelo contrário. "Seguramente ele continuará ou aprofundará a política americana de tentar conter o crescimento chinês", diz Carvalho.

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