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Tropas ocidentais na Ucrânia serão alvos legítimos, diz Putin

FolhaPress 05/09/2025 19:01

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta sexta-feira (5) que quaisquer tropas ocidentais em solo da Ucrânia serão consideradas um "alvo legítimo" para suas forças. Já o ucraniano Volodimir Zelenski afirmou que espera "milhares de soldados" numa força de paz estrangeira.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"Se alguns soldados aparecerem lá, especialmente agora, durante operações militares, nós vamos partir do fato de que eles serão alvos legítimos para destruição", afirmou o presidente em Vladivostok, no Extremo Oriente russo, onde participou de um fórum econômico após visitar a China.

Sua fala reitera uma posição conhecida do Kremlin, mas o momento é diverso: na véspera, o presidente francês, Emmanuel Macron, disse que 26 países aliados a Kiev estão dispostos a participar de alguma forma de uma força de paz para garantir aos ucranianos proteção contra novas invasões em caso de um cessar-fogo.

Para Moscou, isso não funciona, dado que o ataque ao vizinho em 2022 foi calcado, entre outros motivos, na premissa de evitar o ingresso da Ucrânia na Otan, a aliança militar ocidental que vem se expandindo a leste desde o fim da Guerra Fria.

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"Se chegarmos a decisões que levem à paz de longo termo, então eu simplesmente não vejo nenhum motivo para a presença deles [ocidentais] no território da Ucrânia, ponto", disse o russo.

Ele também voltou a dizer que pode se encontrar para discutir o fim da guerra com o rival Zelenski, mas só se a reunião ocorrer em Moscou. O presidente ucraniano diz que isso é inaceitável, e propõe um território neutro.

O chanceler ucraniano, Andrii Sibiha, postou em suas redes que Putin "continua a enganar todo mundo fazendo propostas que são reconhecidamente inaceitáveis" para o lado ucraniano.

"Estamos preparando uma força em terra, ar e mar que, simplesmente trabalhando conforme o planejado, pressionará a Rússia a interromper a guerra", afirmou Zelenski, exagerando um pouco no otimismo e citando os "milhares de soldados".

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Falta uma peça fundamental ao arranjo, que é Donald Trump. O presidente americano deu impulso diplomático para tentar uma trégua ao reunir-se com Putin no Alasca e com Zelenski, ladeado por seis líderes europeus, três dias depois, na Casa Branca.

Isso foi em meados de agosto. Desde então, Trump se diz "decepcionado" com Putin e critica países que compram petróleo russo, como a Índia sobre a qual impôs sobretaxas de importação por esse motivo, mas na prática apenas reitera que "em uma semana, ou duas" irá saber a disposição russa.

Já se passaram três semanas da cúpula em Anchorage e nada. Relatos na mídia americana sugerem que o presidente pode se desengajar totalmente do conflito, deixando o problema para a Europa, e talvez nem aplicar punições secundárias a quem faz comércio com a Rússia —como o Brasil, que compra do país de Putin 60% do diesel que consome.

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Por outro lado, a rede NBC afirmou que o americano considera assumir o monitoramento de uma área tampão na linha de frente entre os rivais pelo ar, o que poderia ser uma medida intermediária, sem presença de forças ou mesmo aviões —aparelhos de sensoriamento podem operar de fronteiras próximas, como na Polônia.

Macron não detalhou o que seriam as contribuições à força de paz que discutiu em Paris com líderes europeus na quinta (4).

De seu lado, Putin passou a semana em uma viagem que lhe lustrou a imagem de um líder menos isolado do que o Ocidente gostaria, sendo o principal convidado do espetáculo de força da parada militar liderada por Xi Jinping pelos 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial.

Nesta sexta, o porta-voz do russo, Dmitri Peskov, afirmou que apesar dos vaivéns devido ao conflito na Ucrânia, o Kremlin acredita que uma nova reunião entre Trump e Putin poderá ocorrer "muito em breve".

Em solo, a violência segue com troca de ataques aéreos. A Rússia também anunciou ter conquistado mais uma cidade no leste ucraniano, mantendo o avanço dos últimos meses na região.

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