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TPI formaliza acusação de crime contra humanidade ao ex-presidente das Filipinas

FolhaPress 22/09/2025 18:22

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os promotores do Tribunal Penal Internacional (TPI) acusaram Rodrigo Duterte, ex-presidente das Filipinas, de cometer crimes contra a humanidade e de estar envolvido em centenas de assassinatos ligados à sua condução da guerra às drogas.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

As acusações foram apresentadas em 4 de julho, mas divulgadas nesta segunda-feira (22). Duterte, 80, está atualmente detido em Haia, na Holanda, sede do TPI, após ser preso em março do ano passado, em um aeroporto de Manila, a capital filipina.

A primeira acusação contra Duterte afirma que ele foi coautor de 19 assassinatos cometidos no seu último mandato como prefeito de Davao. A metrópole de 1,7 milhão de habitantes é a cidade natal do político e a terceira maior do país.

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Duterte foi chefe do Executivo de Davao por 25 anos, entre vários períodos (1988 a 1998, 2001 a 2010, e 2013 a 2016). Ele chegou a ser eleito prefeito da cidade no ano passado, mesmo estando sob custódia do TPI, evidenciando sua força política. Lá, sua reputação de alguém que enfrenta o crime rendeu-lhe apelidos como "o justiceiro".

A segunda acusação diz respeito ao seu envolvimento em 14 assassinatos de "alvos de grande valor", segundo os promotores, em 2016 e 2017, período em que Duterte já era presidente.

Já a terceira envolve 43 assassinatos durante operações de "limpeza", que teriam ocorrido entre 2016 e 2018, contra consumidores ou supostos vendedores de drogas. Essas ações "resultaram em milhares de assassinatos, perpetrados de forma sistemática", afirmam os promotores.

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As acusações contra Duterte decorrem de sua campanha de anos contra consumidores e traficantes de drogas que, segundo organizações de defesa dos direitos humanos, matou milhares de pessoas.

A divulgação ocorre na véspera de uma audiência prevista no tribunal de Haia para a leitura das acusações contra Duterte. A sessão, no entanto, foi adiada, para que o seu estado de saúde fosse avaliado.

O advogado de Duterte, Nicholas Kaufman, declarou que seu cliente "não estava apto a ser julgado devido a distúrbios cognitivos em várias áreas" e pediu ao TPI o adiamento indefinido do processo.

Duterte foi preso em 11 de março de 2025 e, na mesma noite, transferido para a Holanda. Desde então, encontra-se detido no setor penitenciário do TPI na prisão de Scheveningen. A prisão foi considerada uma reviravolta para um político que se acostumou a não ter limites.

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Duterte presidiu as Filipinas de 2016 a 2022. Segundo a polícia, 6.200 suspeitos foram mortos durante operações antidrogas nesse período, enquanto ativistas falam em números muito maiores e citam milhares de usuários de drogas em favelas encontrados sem vida em circunstâncias misteriosas.

Ele retirou o país do tratado fundador do TPI, em 2019 —naquele ano, o tribunal começou a investigar acusações de assassinatos sistemáticos sob sua supervisão. Também nesta segunda, Burkina Fasso, Mali e Níger anunciaram que também se retirariam da corte, descrevendo-a como "instrumento de repressão neocolonial nas mãos do imperialismo".

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