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Técnica de congelamento do câncer na mama mostra 100% de eficácia em estudo brasileiro

FolhaPress 25/01/2025 11:27

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um estudo da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) sobre crioablação, técnica de congelamento de células cancerígenas, mostrou 100% de eficácia em pacientes com câncer de mama em estágio inicial da doença. Este é o primeiro protocolo de pesquisa na América Latina que utiliza a técnica para o tratamento de tumor mamário.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O procedimento é minimamente invasivo, sendo uma alternativa à cirurgia para remoção do tumor. Ele consiste na inserção de uma agulha fina na região afetada, por onde é aplicado nitrogênio líquido a uma temperatura de aproximadamente -140ºC. Essa aplicação forma uma esfera de gelo que destrói as células tumorais.

O procedimento é realizado em ambiente ambulatorial, com anestesia local, e permite que as pacientes retornem para casa no mesmo dia, sem necessidade de internação ou repouso prolongado.

"Nosso objetivo com a crioablação é eliminar o tumor de maneira eficaz e menos invasiva. Essa é a grande vantagem do método: você não precisa internar, não precisa tomar anestesia geral e fazer grandes cortes. Você pensa em uma paciente idosa, com muitas comorbidades, isso é uma tremenda vantagem", afirma Afonso Nazário, professor da Unifesp e um dos coordenadores da pesquisa.

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Na primeira etapa do estudo, participaram 60 pessoas com tumores de até 2,5 cm e que tinham indicação para cirurgia. O estudo demonstrou que nas 48 pacientes com tumores de até 2 cm, a crioablação eliminou completamente o câncer. Nos outros 12 casos de tumores entre 2 e 2,5 cm, 8% dos participantes ainda apresentaram pequenos focos residuais da doença após o procedimento.

Em todos os casos, foi realizada uma cirurgia conservadora da mama após a crioablação, que consistiu na remoção do quadrante afetado e dos linfonodos axilares. A retirada de gânglios linfáticos, ou linfonodos, é o padrão no tratamento do tumor mamário, para verificar se as células cancerígenas migraram para o sistema linfático.

Contudo, segundo Nazário, a meta final da pesquisa é dispensar a necessidade de qualquer intervenção cirúrgica em futuros tratamentos com crioablação, porque o corpo gradualmente reabsorve as células destruídas pelo processo de congelamento.

A assistente de atendimento Cristina Spolador, 37, foi uma das participantes do estudo. Ela descobriu um nódulo na mama em julho de 2023, durante um ultrassom de rotina, e foi incluída no protocolo experimental.

"Saí do trabalho, fiz o procedimento e, no mesmo dia, já estava em casa. Não senti dor, apenas uma leve sensação de rigidez na região tratada", conta.

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Depois da crioablação, além da cirurgia para remoção da área afetada, ela também fez algumas sessões de radioterapia para reduzir o risco de recidiva (retorno do câncer) na mama ou nas áreas próximas.

"A cirurgia foi realizada por protocolo. O exame patológico confirmou que não havia células cancerígenas nos linfonodos, indicando que o câncer não tinha se espalhado."

A aposentada Eleni Isabel Bianchi, 68, também participou do estudo. "Descobri o câncer ao apalpar o seio durante o banho. Fiz o procedimento de manhã e à noite já estava viajando, porque tinha uma viagem marcada. Foi tudo muito tranquilo", relata.

Para ela, a crioablação foi uma alternativa menos cansativa tanto no aspecto físico quanto no emocional. "A sensação é como estar em um 'mundo congelado', mas vale muito a pena", brinca.

Os pesquisadores agora se preparam para a última fase da pesquisa, que será realizada entre março de 2025 e 2027. No total, 700 pacientes serão divididas em dois grupos: metade receberá o tratamento com crioablação, enquanto as demais passarão pela cirurgia tradicional.

Nesta etapa, a inclusão será restrita a mulheres acima de 60 anos com tumores de até 2 cm, faixa que apresentou os melhores resultados na fase inicial do estudo.

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"Essa escolha segue evidências de que, nesse grupo, a retirada dos linfonodos axilares não é necessária em câncer inicial. Nosso foco agora é comprovar que a crioablação é tão eficaz quanto a cirurgia em longo prazo", afirma Nazário.

A técnica já é utilizada em países como Estados Unidos, Japão, Israel e Itália, mas ainda não está disponível no SUS (Sistema Único de Saúde). Apesar de a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ter aprovado o procedimento, a crioablação para câncer de mama não foi incorporada pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), o que impede a cobertura pelos planos de saúde.

"O alto custo das agulhas é um desafio, mas acreditamos que a popularização do método vai baratear o procedimento, tornando-o acessível a mais pacientes. Nosso objetivo é tirar de 20% a 30% das pacientes da fila do SUS", conclui Nazário.

Vale destacar que a crioablação não substitui outros tratamento do câncer de mama, como radioterapia e e quimioterapia. Isso porque o tumor mamário deve ser tratado de forma sistêmica. Uma paciente pode fazer, por exemplo, o congelamento das células cangerínas, combinado com hormonioterapia, para bloquear a produção de hormônios que estimulam o crescimento da doença.

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