Tarcísio chama Campos Neto de ET e justifica jantar com chefe do BC

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Depois de fazer elogios públicos à ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e de reafirmar que é e continuará sendo bolsonarista, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), fez afagos ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

“Tudo o que a gente faz é envolto de especulações. [Campos Neto] é um dos caras mais brilhantes que já conheci. Quando a gente estava no governo tinha reunião com ministro, e ele fazia análise de cenários, eu anotava tudo o que ele falava”, disse o governador nesta segunda-feira (10), em entrevista coletiva para anunciar detalhes do projeto de extensão da Linha 4-Amarela, do Metrô.

Campos Neto será homenageado nesta segunda com o Colar de Honra ao Mérito Legislativo da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), maior condecoração da Casa.

A homenagem foi proposta pelo deputado bolsonarista Tomé Abduch (Republicanos), vice-líder do governo Tarcísio na Alesp.

Segundo o governador, o presidente do BC é alguém que só quer ajudar. “Tentou ajudar muito o governo Bolsonaro como vem tentando ajudar o governo do Lula. Bobagem criar estresse com uma pessoa tão técnica, inteligente, preparada.”

“É um cara que eu tenho muito respeito, muita admiração. Eu brinco com ele, ‘para mim você é um ET'”, disse. “Eu já trabalhei com gente inteligente, mas o Roberto [Campos Neto] é top cinco ali.”

Aos jornalistas, Tarcísio também mencionou o jantar que vai oferecer ao chefe do BC e a políticos bolsonaristas após a homenagem desta segunda, no Palácio dos Bandeirantes.

“Resolvi, vou fazer um jantar para o meu amigo Roberto, com poucos amigos, gente do meu convívio, que trabalhou com a gente no governo”, disse.

“Tenho muito orgulho da amizade que eu tenho com ele e isso não tem absolutamente nada a ver com política, especulação, futuro”, acrescentou.

Tarcísio mencionou que um dos convidados será Bruno Bianco, que foi advogado-geral da União e hoje é funcionário do BTG. Outro é o ex-ministro Fábio Faria.

Indicado para a presidência do BC ainda na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Campos Neto convive com críticas desde o início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Políticos do PT e o próprio presidente reclamam do patamar da taxa básica de juros e acusam o chefe da autoridade monetária de alinhamento a Bolsonaro.

O elogio a Campos Neto ocorre após o governador de São Paulo declarar que continuará sendo bolsonarista, num momento em que Tarcísio sofre uma enxurrada de críticas de aliados do ex-presidente, que o pressionam por provas mais explícitas de lealdade.

“A primeira pergunta que a gente tem que saber é o que é ser bolsonarista. Eu sou bolsonarista, vou continuar sendo bolsonarista. Isso significa que eu sou conservador, sou liberal e acredito em um Brasil que vai ter economia de mercado”, afirmou.

Dias antes, o governador havia feito elogios a Dilma num evento junto a investidores em São Paulo. Na ocasião, Tarcísio disse que só tinha a agradecer à ex-presidente pelo tempo em que trabalharam juntos quando ele foi diretor do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).

“Trabalhei com a presidente Dilma, sem termos alinhamento político, ela sempre foi muito respeitosa comigo e eu com ela. E deu muito certo”, afirmou o político.

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