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Suprema Corte dos EUA atende Trump e suspende decisão que forçava governo a retomar ajuda externa

FolhaPress 27/02/2025 19:07

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente da Suprema Corte dos Estados Unidos, John Roberts, atendeu um pedido do governo de Donald Trump nesta quarta-feira (26) e suspendeu a ordem de um juiz federal que exigia o pagamento de quase US$ 2 bilhões (cerca de R$ 11,5 bilhões) em ajuda externa congelados pela gestão do republicano.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A decisão agora inválida havia sido emitida pelo juiz distrital dos EUA Amir Ali na terça-feira (25). Na ocasião, o magistrado deu até 23h59 desta quarta para o governo cumprir suas obrigações contratuais com organizações humanitárias ao redor de todo o mundo —parte da política isolacionista conhecida como "América Primeiro", que Trump defende.

A suspensão ocorreu após a gestão afirmar que não poderia cumprir o prazo imposto por Ali. De acordo com a procuradora-geral interina Sarah M. Harris, principal advogada do governo no caso, o prazo "lançou no caos o que deveria ser uma revisão ordenada pelo governo".

Embora tenha se "comprometido em pagar reivindicações legítimas pelo trabalho que foi devidamente concluído", continuou ela, o governo não pode "pagar demandas arbitrariamente determinadas em um cronograma arbitrário escolhido pelo tribunal distrital".

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Roberts não justificou a ordem provisória, que dará à corte mais tempo para analisar o pedido do governo. Agora, a parte demandante —organizações que contratam ou recebem subsídios da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional e do Departamento de Estado (Usaid), que administra cerca de 60% da assistência externa de Washington— tem até o meio-dia desta sexta-feira (28) para se pronunciar.

Trata-se de mais um episódio da guerra na Justiça que o governo trava para avançar sua agenda.

Após sua posse em 20 de janeiro, Trump assinou um decreto para congelar os fundos de toda a ajuda externa dos EUA por 90 dias, período em que o governo afirmou que iria revisar os contratos e determinar se eles estavam em conformidade com as políticas da gestão.

Nesta quarta, o governo afirmou que a avaliação havia sido finalizada e que mais de 90% dos programas de ajuda e desenvolvimento no exterior seriam eliminados, totalizando US$ 54 bilhões (cerca de R$ 313 bilhões).

A ofensiva colocou em risco programas que envolvem entrega de alimentos e ajuda médica, lançando os esforços de ajuda humanitária global no caos. Desde janeiro, diversas organizações moveram processos contra a gestão do republicano.

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Os demandantes afirmam que Trump excedeu sua autoridade sob a lei federal e a Constituição dos EUA ao desmantelar uma agência independente e cancelar gastos autorizados pelo Congresso. Disseram ainda que o governo não fez nada para cumprir a ordem de restrição.

"O que o governo está disposto a fazer para desrespeitar uma ordem judicial, tudo com o objetivo de acabar com assistência humanitária que salva vidas, é impressionante", disse nesta quarta Allison Zieve, advogada que representa dois demandantes: a Coalizão de Defesa da Vacina contra a Aids e a Rede de Desenvolvimento de Jornalismo.

A decisão contra o governo de Ali —nomeado pelo antecessor democrata de Trump, o ex-presidente Joe Biden— foi a terceira na qual ele ordenou que os funcionários do governo liberassem os fundos. A de Roberts, no entanto, embora provisória, vem da mais alta corte do país.

A novela em torno da questão da ajuda externa parece definir a estratégia de Trump em seu segundo mandato na Casa Branca: empurrar disputas à Suprema Corte, onde há hoje uma maioria de juízes conservadores formada pelo próprio republicano durante seu primeiro governo.

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Dos nove juízes no tribunal atualmente, cinco costumam ter posições conservadoras, dos quais três foram indicados pelo atual presidente. Outros três, indicados pelos democratas Barack Obama e Biden, são notadamente progressistas.

O nono é Roberts, responsável pela decisão desta quarta. Indicado pelo republicano George W. Bush, presidente dos EUA entre 2001 e 2009, ele é visto como uma força neutra na corte —ou seja, ora apoia teses progressistas, ora conservadoras.

A Usaid, que em 2023 apoiou iniciativas em 160 países, tem sido um dos principais alvos do plano de redução de custos do governo americano liderado pelo bilionário Elon Musk, à frente do Departamento de Eficiência Governamental (Doge, na sigla em inglês).

Os decretos de Trump que visam a agenda internacional englobam verbas que a Usaid destina a ONGs de todo o mundo, inclusive no Brasil. Entre os maiores beneficiários estão: Ucrânia (US$ 17 bi), Israel (US$ 3,3 bi), Jordânia (US$ 1,7 bi), Egito (US$ 1,5 bi) e Etiópia (US$ 1,6 bi).

Até mesmo países que não mantêm relações diplomáticas com os EUA já foram contemplados com os investimentos americanos. No passado, Irã e Coreia do Norte estiveram, por exemplo, no leque de atividades exercidas pela agência.

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