Suicidal Tendencies, banda cultuada pela turma do skate, faz turnê no Brasil

PARATY, RJ (FOLHAPRESS) – Em julho, um nome fundamental da história do rock desembarca no Brasil –o Suicidal Tendencies. Formado em Los Angeles, na Califórnia, em 1980, o grupo foi um dos pioneiros do chamado “crossover”, a mistura do hardcore com o thrash metal, vertente mais pesada e rápida do heavy metal.

Amado por fãs de todo tipo de música pesada, o Suicidal já é uma banda clássica e tem forte ligação com a subcultura do skate e de esportes radicais. “Nossa origem é o underground, tanto da música quanto do esporte”, diz o cantor Mike Muir, 61, líder do Suicidal Tendencies e único remanescente da formação original.

Mike é irmão mais novo de Jim Muir, celebrado skatista que foi um dos 12 membros originais do Z-Boys, um grupo que revolucionou o skate inventando manobras ousadas e radicais, e do qual faziam parte também nomes lendários do esporte como Tony Alva, Stacy Peralta e Jay Adams.

Muir já veio ao Brasil com o Suicidal Tendencies e também com sua outra banda, Infectious Grooves. “Amo o Brasil, tenho muitos amigos aí. Da última vez, passei tanto tempo no país que as pessoas estranharam me ver tantas vezes. Diziam: ‘Ele deve ter alguma namorada brasileira, não é possível’, era muito engraçado. Mas a verdade é que eu me sinto muito bem toda vez que vou ao Brasil. Só não consigo entender nada de português. Dizem que é parecido com espanhol, mas eu acho muito mais difícil.”

Muir gosta tanto do Brasil que batizou a turnê de “Nós Somos Família” e gravou uma música com o mesmo nome, em celebração à excursão, com a participação de músicos e esportistas brasileiros. A faixa conta com Badauí, do CPM22, BNegão, do Planet Hemp, João Gordo, do Ratos de Porão, Rodrigo Lima, do Dead Fish, Supla, os campeões mundiais de skate Sandro Dias e Pedro Barros, Fernanda, da banda Crypta, e Marcão Britto e Thiago Castanho, do Charlie Brown Jr.

“É a nossa forma de agradecer ao público brasileiro pelo apoio que deram ao Suicidal Tendencies e ao Infectious Grooves por todos esses anos”, diz Mike Muir.

A formação do Suicidal Tendencies que vem com Muir ao Brasil é inédita e tem Dean Pleasants na guitarra, Jay Weinberg na bateria e Tye Trujillo no baixo. Pleasants está na banda desde 1996, Weinberg tocou no Slipknot e Tye é um prodígio de 19 anos, filho do baixista original do Suicidal, Robert Trujillo, baixista do Metallica há 21 anos.

Apesar de muito jovem, Tye já é um veterano –tocou pela primeira vez com a banda de Mike Muir aos 14 anos de idade e aos 12 participou de uma turnê no Brasil com a banda Korn, substituindo o baixista Fieldy.

“Tye é um fenômeno”, diz Mike Muir. “Quando ele começou a tocar com a gente, muitos disseram que só o havíamos escalado por ele ser filho do Robert, mas assim que o viam no palco, mudavam de opinião na hora. O garoto é um monstro tocando baixo.”

Em outubro de 2023, o Suicidal fez shows no México, mas Tye tinha compromissos com outra banda e não pôde ir. Quem o substituiu? O pai, Robert. “Nós não anunciamos que o Robert tocaria naquele show”, diz Muir. “Foi uma surpresa. Quando a gente subiu no palco e os mexicanos viram quem estava no baixo, foram à loucura.”

O Suicidal Tendencies fará cinco shows no Brasil –12 de julho no Sacadura 154, no Rio de Janeiro, dia 13 de julho em São Paulo no Esquenta Rockfun Fest, 14 de julho no Tork n’ Roll, em Curitiba, 16 de julho no John Bull, em Florianópolis, e no dia 17 de julho, no Mister Rock, em Belo Horizonte.

“Eu adoraria ter marcado um show para Porto Alegre, mas infelizmente a situação das enchentes não permitiu”, diz Mike Muir. “Fiquei chocado vendo as cenas dos alagamentos no Rio Grande do Sul. Tenho muitos amigos lá e as imagens eram realmente muito tristes. Nos Estados Unidos, essa tragédia não teve a cobertura de TV e imprensa que merecia.”

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