Premiê trabalhista deixará o cargo em meio à pressão interna no partido, menos de dois anos após vitória eleitoral expressiva
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou nesta segunda-feira (22) que vai deixar o cargo, abrindo uma nova disputa pelo comando do governo britânico. A decisão ocorre menos de dois anos depois da vitória do Partido Trabalhista nas eleições gerais de 2024.
A saída representa mais um capítulo da instabilidade política recente no Reino Unido. Com a troca, o país deve chegar ao sétimo primeiro-ministro em cerca de dez anos, período marcado por mudanças sucessivas de liderança, crises internas nos partidos e desgaste de governos.
Starmer vinha enfrentando crescente pressão dentro do próprio Partido Trabalhista. Parte dos parlamentares passou a defender uma mudança de comando diante da queda de popularidade do governo e da preocupação com o desempenho da legenda nas próximas eleições.
Ao anunciar a decisão, o premiê reconheceu que o partido passou a discutir se ele ainda era o nome mais adequado para liderar os trabalhistas em uma nova disputa nacional. Starmer afirmou que aceitou a avaliação interna e que pretende colaborar para uma transição ordenada.
O processo de escolha do novo líder trabalhista deve definir também o próximo primeiro-ministro, já que o partido ocupa a maioria no Parlamento. Andy Burnham, ex-prefeito da Grande Manchester e uma das principais figuras do campo trabalhista, aparece como favorito na sucessão.
A substituição ocorre em um momento delicado para o governo britânico. Além da pressão política interna, Starmer enfrentou críticas relacionadas à condução da economia, aos serviços públicos e à dificuldade de recuperar a confiança de parte do eleitorado.
A vitória trabalhista de 2024 havia sido vista como uma tentativa de encerrar um longo período de turbulência política no país. A renúncia de Starmer, no entanto, mostra que a instabilidade continuou a afetar o sistema político britânico mesmo após a troca de partido no poder.
Até a definição do sucessor, Starmer deve permanecer no cargo para garantir a continuidade do governo. A nova liderança terá a tarefa de reorganizar o Partido Trabalhista, recuperar apoio popular e tentar estabilizar o governo antes das próximas eleições gerais.