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Sobrinha acreditava que Michel estava vivo e há dois dias apelou a brasileiros por ajuda de Lula

FolhaPress 24/05/2024 09:59

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A sobrinha do brasileiro-israelense Michel Nisenbaum, 59, sequestrado pelo Hamas e encontrado morto na Faixa de Gaza nesta sexta (24), mantinha até agora uma forte esperança de que ele voltaria com vida a Israel.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Ayala Harel, filha de Mary Shohat, a única irmã de Michel, esteve na quarta (22) com um grupo de 43 brasileiros que estão visitando o país em uma comitiva organizada pela Federação Israelita do Estado de SP (Fisesp).

O encontro ocorreu em um escritório que reúne familiares de sequestrados em Tel Aviv.

"Estivemos com a sobrinha dele há 48 horas e ela acreditava fortemente que Michel estava vivo", relata o advogado Luiz Kignel, que integra a comitiva. "Por isso a notícia da morte do Michel nos choca e nos frustra ainda mais."

"Ela nos disse que vivia com a família um sofrimento constante, de muita luta para não cair, não se deixar derrubar", afirma o advogado.

"Nos relatou que a situação era muito dura, porque a imprensa israelense noticia todos os dias que o Exército encontrou em Gaza novos corpos de sequestrados mortos. São dois, três por dia", segue Kignel.

SESC PICASSO

"Mas ela nos disse que, por mais que as informações fossem muito ruins, mantinha a esperança de que o tio estava vivo e de que voltariam a se encontrar. É trágico", diz Kignel.

A esperança de que Michel estivesse vivo era tão forte que a sobrinha pediu que o grupo entrasse em contato com o governo brasileiro para que Lula (PT) tentasse novamente interceder pela libertação dele.

"Ela pediu que tentássemos falar com o presidente Lula para que ele interviesse nas negociações para tentar libertar o Michel e outros sequestrados. O Lula a recebeu no Brasil, mas ninguém do governo voltou a dar notícias a ela, de qualquer tentativa que estivesse sendo feita neste sentido", segue o advogado.

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Ele relata ainda que a comoção em torno dos reféns em Israel é "total".

"A sociedade israelense se divide em muitas questões, relativas ao governo atual, à criação de dois estados [de Israel e da Palestina]. Mas, em relação aos reféns, há uma união completa", diz ele.

"Todos, sem exceção, acham que o governo tem que trazer os reféns de volta. Vivos ou mortos", afirma Kignel. "A convicção é a de que ninguém pode ficar para trás."

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