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Sob pressão militar, Irã aceita negociação indireta com Trump

FolhaPress 27/03/2025 10:19

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Sob intensa pressão militar vinda de Washington, o governo do Irã afirmou nesta quinta (27) que o país está aberto a negociar um novo pacto acerca de seu programa nuclear com os Estados Unidos, mas de forma indireta, envolvendo um terceiro país.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"A República Islâmica não fechou todas as portas", disse Kamala Kharrazi, assessor do líder supremo da teocracia, Ali Khamenei. "Está pronta para negociações indiretas para avaliar o outro lado, colocar suas condições e tomar a decisão apropriada", afirmou à Agência de Notícias dos Estudantes Iranianos.

Até aqui, Khamenei vinha rejeitando a pressão americana para retomar algum tipo de acordo que tire o país do caminho da construção de uma bomba atômica. Mas Donald Trump, que deu até o começo de maio para Teerã aceitar uma negociação, resolveu escalar a pressão militar.

Enviou de cinco a sete bombardeiros furtivos ao radar B-2 para a base anglo-americana de Diego Garcia, no Índico, e diversos aviões de apoio —ao menos três cargueiros C-17 e 11 modelos de reabastecimento aéreo KC-135 passaram pelo atol desde a segunda (24).

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Isso sugere uma força expedicionária de ataque. Nem lugar para tantos B-2 há na base: os aviões costumam ficar em hangares especiais condicionados para não haver danos à sua cobertura especial que absorve ondas de radar, e Diego Garcia só tem quatro deles.

Imagens de satélite da terça (25) mostram que há três B-2 estacionados fora deles, o que sugere que os outro quatro possam estar acomodados nos hangares. Além disso, está a caminho do Oriente Médio um segundo grupo de porta-aviões —na região, a frota do USS Harry Truman já opera no mar Vermelho contra os houthis.

Esses rebeldes iemenitas são aliados de Teerã e participam da guerra dos terroristas palestinos do Hamas contra Israel atacando alvos na região.

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Trump contradisse sua retórica isolacionista ao determinar ataques maciços contra eles neste mês, algo que surpreendeu seus aliados, como mostrou o vazamento das mensagens trocadas pela cúpula do governo. Também afirmou que qualquer represália contra as forças americanas será debitada da conta do Irã.

O objetivo do americano é frear a ideia de um Irã nuclear que possa enfrentar Israel, o arquirrival regional dos aiatolás que tem cerca de 90 ogivas atômicas, segundo estimativa da referencial Federação dos Cientistas Americanos.

O Irã tem tecnologia e possui material físsil suficiente para, em alguns meses, elaborar ao menos uma arma rudimentar —até quatro ogivas, dizem especialistas.

Seu programa nuclear é a maior moeda de troca do governo nas infindáveis crises no Oriente Médio. Em 2015, o país fechou um acordo nuclear com os EUA e outras potências trocando o desenvolvimento militar pelo fim de sanções.

Três anos depois, Trump deixou o arranjo, dizendo que ele só ganhava tempo para os iranianos. Ato contínuo, Teerã deixou de cumprir suas obrigações, como inspeções detalhadas da Agência Internacional de Energia Atômica, e o órgão da ONU diz que o país está perto da bomba.

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A carta de Trump a Khamenei foi lida como um ultimato e tratada assim em público, mas agora, como diz o assessor do líder, há um caminho apontado.

Os olhos se voltam para a Rússia de Vladimir Putin, com quem Trump decidiu fazer as pazes após três anos de crise aguda devido à invasão da Ucrânia. Além de negociar os difíceis termos para ao menos suspender o conflito, os americanos e russos conversam sobre diversos temas comuns.

O Kremlin já disse estar pronto para agir como mediador. Moscou e Teerã são aliados, e em janeiro assinaram um grande tratado de cooperação estratégica, militar e tecnológica.

O Irã vai receber caças avançados russos e outros armamentos, e há um temor no Ocidente que o pacote inclua tecnologia para não só agilizar a construção da bomba, mas para instalar as ogivas em mísseis. Agora, a nova configuração geopolítica sob Trump abre a possibilidade de Putin agir como freio, não acelerador da crise.

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