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Sinner e Alcaraz insinuam nova era no tênis, mas Djokovic sente que ainda tem algo a dizer

FolhaPress 20/12/2024 14:52

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O caminho parece pavimentado para uma nova era de grande rivalidade no tênis. O italiano Jannik Sinner, 23, e o espanhol Carlos Alcaraz, 21, já dominam o circuito masculino -cada um levou dois dos quatro títulos de 2024 na série Grand Slam, que reúne os principais torneios-, com um nível claramente superior ao da concorrência.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Eles são os principais herdeiros do grupo chamado de "Big 3", que mandou no esporte por duas décadas com o suíço Roger Federer, o espanhol Rafael Nadal e o sérvio Novak Djokovic. Federer e Nadal já curtem suas aposentadorias, mas Djokovic, aos 37 anos, diz ainda ter lenha para queimar e promete incomodar a dupla.

Mesmo neste ano, o primeiro desde 2002 sem nenhum troféu de Grand Slam entregue a um membro da velha trinca, Novak triunfou no campeonato que estabeleceu como prioridade. Após 24 vitórias em Slams, algo que nenhum outro homem conseguiu, enfim recebeu a medalha de ouro olímpica: na final, no complexo de Roland Garros, ganhou grande jogo contra Alcaraz.

"Sinto que ainda posso jogar no mais alto nível. O Sinner e o Alcaraz se consolidaram como os dois melhores do mundo, para não mencionar o [alemão Alexander] Zverev. Eles serão os principais candidatos a ganhar os Slams e outros torneios, mas, física e mentalmente, estou pronto para jogar meu tênis e desafiar esses caras. Minha experiência pode vir a calhar", afirmou.

SESC PICASSO

Repare que a lógica anterior foi invertida. É Djokovic quem se sente o desafiante. A questão é se os novos donos do circuito terão a longevidade e a dominância dos anteriores -em 2023, quando o sérvio levou o Aberto dos Estados Unidos, o "Big 3" estabeleceu uma sequência de 66 títulos em 79 possíveis em Grand Slams.

"Vencer os primeiros dois Slams e tornar-se número um é uma coisa. Manter esse nível por anos é outra", advertiu Djokovic, questionado sobre um conselho a dar a Sinner. "Mas parece que ele está se saindo bem sem meus conselhos", divertiu-se.

Está mesmo. Após triunfar no Aberto dos Estados Unidos neste ano, o italiano, líder do ranking, tornou-se o primeiro homem a obter seus dois primeiros títulos de Grand Slam na mesma temporada desde o argentino Guillermo Villas, em 1977.

O currículo de Alcaraz é ainda mais impressionante. Atual número três do mundo (nem o número dois, Zverev, acha que o ranking condiz com a realidade), ele já conta com quatro Slams aos 21 anos. O recordista Djokovic, para comparação, chegou a seu quarto aos 24.

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O mundo do tênis está pronto para anos de Alcaraz x Sinner. Eles sabem disso e já se habituaram a falar um do outro como faziam Federer e Nadal.

"Ele me leva a ser melhor. Eu me levanto pela manhã pensando em maneiras de derrotá-lo", disse Sinner, de personalidade mais Federer do que Nadal, por sua vez mais parecido com o compatriota Alcaraz. "Na quadra, somos diferentes. Ele traz o poder de fogo, envolve a multidão. É como fogo e gelo."

"Vamos ver como serão os próximos anos", respondeu Alcaraz. "Espero que ele esteja no circuito por muito tempo porque ele me pressiona a ser um jogador melhor a cada dia. Ele me empurra a treinar 100% para batê-lo. É ótimo. Espero que a gente tenha rivalidade que teve o Big 3."

O que diferencia a dupla de boa parte da concorrência é a capacidade de ser agressivo com poucos erros. Os adversários procuram responder no mesmo estilo, porém geralmente têm menos constância e precisão nas trocas de bola.

"Não é a natureza do meu jogo. Eu hesito um pouco quando tento ser agressivo. Mas estou tentando", disse o norueguês Casper Ruud, de 25 anos, número seis do mundo, em raciocínio semelhante ao apresentado por Alexander Zverev, de 27.

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"Quando eles pegam uma bola mais fácil, quando estão em uma posição de ataque, em 90% das vezes o ponto acabou, seja com uma winner ou um erro não forçado. É esse o tanto que eles são agressivos, é essa a força que põem na raquete. Nesse aspecto, posso melhorar. É o que estou tentando fazer", afirmou o alemão.

Os desafiantes, jovens ou nem tanto, estão a postos. Mas o que também pode ser uma pedra no caminho da rivalidade Sinner-Alcaraz é o caso de doping do italiano. Em março deste ano, exame realizado no Masters 1.000 de Indian Wells apontou a presença da substância proibida clostebol no organismo do atleta.

Ele convenceu a Itia (Agência Internacional de Integridade do Tênis) de que a pequena quantidade detectada foi fruto de uma contaminação acidental e foi absolvido. Um fisioterapeuta -posteriormente demitido- teria usado um spray com o agente anabólico na própria pele antes de tocar feridas de Sinner.

A Wada (Agência Mundial Antidoping) recorreu da decisão e levou o caso à CAS (Corte Arbitral do Esporte). Para Olivier Niggli, diretor da agência, "existe uma responsabilidade do atleta em relação a quem está a seu redor". Novas audiências sobre o tema estão previstas para o início de 2025.

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