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Senadores partem para agressão física no México após debate sobre EUA

FolhaPress 28/08/2025 00:04

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Senadores do México partiram para a agressão física nesta quarta-feira (27) após um debate acalorado sobre supostos pedidos da oposição para que os Estados Unidos intervenham militarmente contra os cartéis do narcotráfico na América Latina.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A briga envolveu Alejandro Moreno, do opositor PRI, e Gerardo Fernández Noroña, líder governista e presidente do Senado, que trocaram empurrões. O político da oposição ainda deu um tapa no pescoço do seu adversário.

Os dois já tinham discutido dias atrás, quando Moreno apresentou à Procuradoria-Geral uma denúncia contra o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, por supostos vínculos com cartéis mexicanos. Ele também insinuou que setores do governo de esquerda poderiam estar ligados a atividades ilegais, o que Noroña rejeitou de forma veemente.

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Durante sessão no plenário desta quarta, Moreno subiu à tribuna para cobrar a palavra que, segundo ele, lhe havia sido negada. Depois de encarar Noroña, o opositor o empurrou várias vezes e chegou a dar um tapa em seu pescoço. Ainda derrubou um homem que tentou apartar.

O episódio agravou o clima de hostilidade entre os blocos da Casa. A disputa política se acirrou porque a maioria governista acusa o PRI, de Moreno, e o conservador PAN de defenderem uma intervenção militar dos EUA no México, algo que as legendas negam. A base da acusação foi uma entrevista da senadora Lilly Téllez, do PAN, ao canal Fox News, em que ela afirmou haver infiltração dos cartéis no governo mexicano.

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Os parlamentares envolvidos na briga enfrentam desgaste político: Moreno responde a um processo por suspeita de corrupção durante seu mandato como governador de Campeche (2015-2019), enquanto Noroña foi criticado após vir a público que possui uma casa avaliada em cerca de US$ 640 mil (R$ 3,5 milhões).

A polêmica ocorreu ainda diante de pressões externas. Veículos de imprensa dos Estados Unidos noticiaram, há duas semanas, que o presidente Donald Trump ordenou às Forças Armadas combater cartéis da América Latina classificados por Washington de organizações terroristas globais.

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A medida é uma das mais agressivas escaladas do governo republicano na guerra às drogas, uma vez que amplia o papel das Forças Armadas em funções tradicionalmente atribuídas a agentes de aplicação da lei —forças policiais, no geral. Entre os objetivos, está conter o fluxo de fentanil —responsável por uma crise de opioides no país— e outras drogas ilegais.

Historicamente, o uso das Forças Armadas americanas em ações antidrogas na América Latina, comum especialmente na Colômbia e na América Central, se dava sob a justificativa de apoio a autoridades policiais, como em treinamentos conjuntos e fornecimento de equipamentos. A nova medida, no entanto, abre espaço para um papel mais ativo, com possibilidade de captura ou neutralização direta de alvos, o que especialistas em direito internacional alertam poder configurar violação de normas globais —especialmente se ocorrer de maneira unilateral, sem consentimento dos países envolvidos.

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