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Senado barra plano de Petro de passar reformas via consulta popular

FolhaPress 14/05/2025 20:38

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Gritos, insultos e acusações de fraude tomaram o plenário do Senado da Colômbia nesta quarta-feira (14), quando o governo do presidente Gustavo Petro sofreu mais uma derrota. Os senadores decidiram, com um placar de 49 votos contra e 47 a favor, derrubar a proposta de consulta popular para a reforma trabalhista.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Assim que o resultado foi divulgado, houve fortes críticas, insultos e acusações de fraude. O presidente do Senado, Efraín Cepeda, pediu ordem e proteção para o secretário da presidência da Casa, que teve que deixar as instalações escoltado.

O governo Petro queria fazer 12 perguntas aos colombianos, para tentar modificar a legislação trabalhista do país após dois fracassos na aprovação da reforma no Congresso.

O presidente reforçou a acusação de fraude por meio de suas redes sociais, compartilhando um vídeo em que o voto de um dos senadores teria sido contado incorretamente -o senador Edgar Diáz teria votado no "sim", mas foi registrado como "não".

"Essa é a fraude. O povo não pode mais ser privado da vitória. A participação é enorme, mas a coordenação popular deve dar os próximos passos para o movimento democrático que se desencadeia a partir de agora", escreveu Petro.

A sessão teve de ser interrompida.

SESC PICASSO

A lista de proposições incluía mudanças na regulamentação da jornada de trabalho com no máximo oito horas diárias e a garantia de licença médica, incluindo licença para cólicas menstruais incapacitantes.

O governo também tentava emplacar sugestões, como a eliminação da terceirização e intermediação abusivas nos contratos de trabalho, cotas mínimas de contratação para pessoas com deficiência e a garantia de salários justos para os trabalhadores rurais.

As propostas já eram mais brandas do que o que defendiam setores que apoiam Petro, como as centrais sindicais, que queriam maior poder de negociação dos trabalhadores nas empresas, por exemplo.

Em março, o Senado rejeitou a reforma trabalhista de Petro, com 8 dos 14 participantes de um comitê voltado para discutir o tema decidindo pelo seu arquivamento. Ela já havia sido apresentada anteriormente no Congresso e não teve força, mesmo com o governo diluindo as propostas.

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"O Congresso da Colômbia está dando as costas ao povo. Não somos escravos, não somos servidores do poder, somos seres humanos", afirmou o presidente em um ato em Bogotá no mês passado.

O mandatário, então, convocou um ato no dia 1º de Maio e levou as propostas até o Legislativo, conforme prevê a Constituição, em que empunhou uma espada que acredita-se ter pertencido ao libertador Simón Bolívar.

Com a derrota da consulta popular, os senadores acataram um pedido de apelação e a reforma trabalhista de Petro deve voltar a ser discutida pela Casa, mas desta vez por uma comissão diferente.

O QUE ERA A CONSULTA DE PETRO

Governo queria que colombianos fossem consultados sobre reforma trabalhista

1. Você concorda que a jornada de trabalho dure no máximo oito horas e seja entre 6h e 18h?

2. Você concorda com uma compensação de 100% para trabalhar aos domingos ou feriados?

3. Você concorda que as micro, pequenas e médias empresas produtivas, especialmente associações, devam receber taxas preferenciais e incentivos para seus projetos?

4. Você concorda que as pessoas tenham as licenças necessárias para tratamentos médicos e que possam ser dispensadas em períodos menstruais incapacitantes?

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5. Você concorda que as empresas devam contratar pelo menos duas pessoas com deficiência para cada cem trabalhadores?

6. Você concorda que os jovens aprendizes do Sena [órgão semelhante ao Senai brasileiro] e instituições similares devam ter um contrato de trabalho?

7. Você concorda que os trabalhadores em plataformas de entrega tenham garantido o pagamento da previdência social?

8. Você concorda com o estabelecimento de um regime trabalhista especial para empregos rurais para garantir direitos e salários justos aos trabalhadores agrícolas?

9. Você concorda com a eliminação da terceirização e intermediação de mão de obra por meio de contratos que violam os direitos trabalhistas?

10. Você concorda que trabalhadores domésticos, mães comunitárias [agentes comunitárias que cuidam de crianças], jornalistas, atletas, artistas, motoristas, entre outros trabalhadores informais, devam ser formalizados ou tenham acesso à previdência social?

11. Você concorda em promover a estabilidade no emprego por meio de contratos por tempo indeterminado como regra geral?

12. Você concorda com a criação de um fundo especial para uma pensão para os trabalhadores rurais?

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