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São Paulo: intermediária de caso do camarote do MorumBis retira processo que revelou esquema

Estadão Conteúdo 27/01/2026 10:37

O processo movido por Rita de Cassia Adriana Prado e que contribuiu para a revelação do uso irregular de um camarote do MorumBis foi retirado. Quando a ação foi aberta, Mara Casares e Douglas Schwartzmann, então diretores do São Paulo, a pressionaram para que ela desistisse do movimento na Justiça.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A ação estava na 3ª Vara Cível do Foro Regional IX, na Vila Prudente. A desistência, na prática, faz com que a juíza Cristiane Sampaio Alves Mascari Bonilha, designada para o processo, não julgue o mérito do processo. Isso não interfere na investigação deste caso em andamento na Polícia Civil. O Estadão questionou a razão da retirada a representantes de Adriana, mas não obteve resposta. Assim que houver, o texto será atualizado.

Adriana, por meio da sua empresa, a The Guardian Entretenimento, processava Carolina Lima Cassemiro, da Cassemiro Eventos Ltda. A acusação era de que Carolina havia tirado das mãos de Adriana um envelope com ingressos para o camarote 3A no show da cantora Shakira. As entradas renderiam R$ 132 mil, segundo disse a proprietária da The Guardian em áudio.

SESC PICASSO

A empresária atuava como intermediária em negócios com Mara Casares, negociando espaços em eventos do São Paulo e shows no MorumBis. A abertura da ação motivou que Mara e Douglas Schwarztmann pressionassem Adriana pela retirada do processo. A intenção era de que o caso, chamado por eles mesmos de "clandestino", não se tornasse público.

"Seu advogado sabe que é tudo clandestino? Quer que eu explique para ele como você obteve esse negócio? Você quer que eu ligue para o seu advogado e explique que você não tinha direito de comercializar aquilo? Porque você sabe que não tinha. Eu, você e a Mara sabemos", diz Schartzmann.

"Coisa errada? Errou, tem de comer com farinha. Não tem jeito, querida. Não tem outro jeito. Não tem outro jeito. Não tem", continuou.

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As falas foram reveladas pelo ge. A sequência de eventos envolveu a abertura de um inquérito na Polícia Civil e o licenciamento de Mara e Schwartzmann. Ainda sem desligamento oficial, eles não irão retornar à diretoria na gestão de Harry Massis Júnior, que assumiu após renúncia de Júlio Casares.

A história sustentou o pedido de impeachment que o ex-presidente passou a enfrentar. Os conselheiros são-paulinos aprovaram um afastamento provisório por 188 votos a 45. Ele ainda encararia uma assembleia, mas preferiu renunciar.

Na véspera da votação no Conselho Deliberativo, veio à tona que Adriana e o marido, Ton Santana, tentavam vender o áudio. Um ex-conselheiro opositor de Casares confirmou que pagou R$ 200 mil pela gravação. Entretanto, ele nega ter recebido e vazado o material. O valor, pago em cheques, não foi descontado, segundo ele.

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A Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços de Mara, Schwartzmann e Adriana. Foram apreendidos R$ 28 mil em espécie e documentos que detalham o esquema.

Uma das informações que Polícia e Ministério Público já tinham conhecimento, era que a parceria entre Adriana e Mara não se limitava ao camarote 3A no show da Shakira. Uma linha do tempo foi levantada e apontou negócios desde 2023. Fontes ouvidas pela reportagem do Estadão relatam a presença de Adriana como intermediária ainda antes, em 2022.

A defesa de Schwartzmann disse que o diretor se colocou à disposição para esclarecer os fatos no início desde o início da investigação, assim como falaram os representantes de Mara. Eles ainda afirmam que a lisura de seus atos será comprovada. Os advogados de Adriana afirmam que ela sempre se colocou e permanece à disposição para colaborar com as investigações.

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