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Sánchez diz que não reconhecerá vitória de Fujimori e alega fraude no Peru

Estadão Conteúdo 23/06/2026 16:03

O candidato de esquerda à presidência do Peru, Roberto Sánchez, anunciou nesta terça-feira, 23, que não reconhecerá uma possível vitória de sua rival, a conservadora Keiko Fujimori, caso a Junta Nacional Eleitoral do Peru não atenda ao seu pedido de anulação dos votos de peruanos residentes no exterior, devido a uma suposta violação da lei eleitoral.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Sánchez afirmou em coletiva de imprensa que há uma "fraude em curso" que teria ocorrido em repartições consulares onde mais de 300 mil peruanos votaram em 7 de junho, devido à falta de digitalização das atas de apuração.

"Se a Junta Nacional Eleitoral não resolver esta questão com a devida consideração pela segurança jurídica e pelas normas eleitorais, esta fraude terá sido consumada. Portanto, afirmamos que, nessas condições de violação das regras, não reconheceremos o governo da Sra. Fujimori", declarou Sánchez.

SESC PICASSO

Um dia antes, a equipe jurídica de Sánchez havia apresentado um pedido à Junta Nacional Eleitoral para anular os votos depositados no exterior. Em 29 de maio - uma semana antes do segundo turno das eleições - o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), responsável pela organização das eleições, decidiu, a pedido do Ministério das Relações Exteriores, interromper o procedimento de digitalização das atas de apuração imediatamente após a contagem e seu envio ao Peru.

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores explicou que essa mudança ocorreu porque, durante o primeiro turno das eleições presidenciais, em 12 de abril, "um número significativo" de repartições consulares "relatou sérias dificuldades técnicas e operacionais no uso do aplicativo".

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O Ministério das Relações Exteriores negou que seus funcionários consulares tenham cometido "atos de interferência, manipulação, favorecimento político ou alteração de material eleitoral".

As missões de observação da OEA e da União Europeia concordaram que o segundo turno da eleição presidencial peruana transcorreu sem incidentes ou irregularidades. Sem os votos do exterior, Sánchez lidera a lenta apuração, já que esses votos são majoritariamente favoráveis a Fujimori, segundo dados da ONPE.

Fujimori não se pronunciou durante o dia, mas na véspera indicou que as ações mais recentes de Sánchez, incluindo uma marcha pelas ruas de Lima na última sexta-feira, constituem um "ato político desesperado".

Com 99,72% das urnas apuradas, Fujimori, do Fuerza Popular, tem 50,11% dos votos, contra 49,89% de Sánchez, do Juntos por el Perú, segundo a apuração preliminar da ONPE.

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As eleições presidenciais do Peru foram marcadas nos últimos cinco anos por acusações de fraude por parte dos candidatos derrotados.

No segundo turno de 2021, Fujimori solicitou a anulação de 200 mil votos que favoreciam Pedro Castillo. Os apoiadores de Fujimori marcharam em Lima, protestando inclusive em frente à residência do presidente do Conselho Nacional Eleitoral. Castillo foi declarado vencedor.

O segundo turno colocou frente a frente a filha do falecido ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000) e Sánchez, herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo, que está preso após uma tentativa fracassada de autogolpe em 2022.

Esta é a quarta vez que Fujimori concorre à presidência, enquanto para Sánchez é a primeira. O vencedor sucederá o presidente interino José María Balcázar em 28 de julho, para um mandato de cinco anos.

*Com informações de Agências Internacionais.

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