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Rússia ordena retirada de 76 mil pessoas de região no sul invadida por Ucrânia

FolhaPress 10/08/2024 17:49

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Rússia retirou mais de 76 mil pessoas de áreas da região de Kursk, no sul, próxima à fronteira com a Ucrânia, após avanços das forças ucranianas no território na última semana.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Há relatos de batalhas intensas entre as tropas até 20 km dentro da região de Kursk, no maior ataque de Kiev contra território soberano da Rússia desde o início da guerra no Leste Europeu, em fevereiro de 2022.

Até o início desta ofensiva, a guerra vinha sendo travada quase exclusivamente dentro das fronteiras da Ucrânia.

O Kremlin decretou estado de emergência na região de Kursk na quarta (7). A medida suspende provisoriamente alguns direitos, como o de ir e vir sem checagem, e facilita a movimentação de tropas.

Na sexta (9), o governo de Vladimir Putin anunciou o envio de mais tropas para conter a incursão, além de uma lista de equipamentos militares que incluía lançadores BM-21 Grad e caminhões Ural e Kamaz.

Logo em seguida, na madrugada de sábado (10), medidas antiterrorismo foram implementadas em Kursk e em outras duas regiões que fazem fronteira com a Ucrânia: Belgorodo e Briansk.

Putin denunciou uma "provocação em grande escala" por parte da Ucrânia.

SESC PICASSO

Como em ocasiões anteriores, Kiev não assumiu oficialmente a autoria dos ataques. Mas o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, se referiu indiretamente à incursão em seu pronunciamento à nação na quinta (8): "A Rússia trouxe a guerra para o nosso país. Agora, deve sentir os seus efeitos", disse ele.

Talvez se preparando para uma retaliação, Kiev também anunciou a retirada de 20 mil pessoas de 28 diferentes localidades na região de Sumi, do outro lado da fronteira com Kursk.

CONTADOR - BONUS

A ação ucraniana é uma tentativa de Kiev de desviar atenção e recursos dos russos, que ameaçam romper defesas do país na região de Donetsk, no leste do país --1 das 4 que Putin anexou ilegalmente em 2022, depois da invasão do vizinho, cujo controle foi colocado pelo presidente russo como uma das condições para negociar a paz.

As batalhas em Kursk preocupam a AIEA, agência nuclear da ONU, uma vez que a região abriga uma usina atômica.

"Gostaria de fazer um apelo a todas as partes para que exerçam moderação máxima e evitem um acidente nuclear com potencial de graves consequências radiológicas", afirmou o diretor-geral do órgão, Rafael Grossi, em comunicado, acrescentando que estava monitorando a situação pessoalmente junto a autoridades de ambos os países.

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