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Rússia faz novo mega-ataque à Ucrânia e provoca apagões em meio a negociação de paz

FolhaPress 06/12/2025 10:44

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Rússia realizou novo mega-ataque com drones e mísseis contra a infraestrutura energética da Ucrânia neste sábado (6) em diversas regiões do país. Houve apagões e cortes no fornecimento de energia em várias delas, em um momento crítico de aproximação do inverno no hemisfério norte e em meio a negociações entre Moscou e os Estados Unidos para o fim do conflito.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O Exército ucraniano afirma que foram lançados 653 drones e 51 mísseis contra seu território durante a madrugada; 585 drones e 30 mísseis foram derrubados, ainda segundo os militares.

O ataque afetou o fornecimento de energia em Zaporíjia, Lviv, Chernihiv e Dnipropetrovsk. A usina nuclear de Zaporíjia chegou a ficar sem fornecimento de eletricidade de fontes externas por cerca de meia hora, de acordo com a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica).

Em mensagens no aplicativo Telegram, a pasta responsável pelo desenvolvimento de comunidades afirma que ao menos 9.500 pessoas ficaram sem aquecimento e 34 mil, sem água.

SESC PICASSO

Um centro ferroviário próximo a Kiev também foi atingido pelo ataque, com um armazém e vagões danificados, de acordo com a empresa pública de trens. Não houve feridos, segundo a companhia.

"A Rússia continua a ignorar qualquer esforço de paz e, em vez disso, ataca infraestrutura civil crucial, incluindo nossos sistemas de energia e ferroviais", afirmou o chanceler ucraniano, Andrii Sibiha.

O Kremlin intensificou, nas últimas semanas, ataques contra instalações de geração e distribuição de energia da Ucrânia. Ao mesmo tempo, enviados do governo de Donald Trump mantêm negociações diplomáticas em Moscou na tentativa de avançar para uma solução do conflito.

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As conversas continuam neste sábado (6), mas, até o momento, não há previsão de acordo no horizonte. O presidente russo, Vladmir Putin, endureceu ainda mais sua posição em relação às negociações atuais, a terceira tentativa de Trump de acabar com a guerra.

De acordo com relatos ouvidos pela Folha, o Kremlin rejeitou todas as ideias mais favoráveis a Kiev, como a negociação territorial a partir das linhas de batalha atuais --o que deixaria cerca de 15% da vital área da região de Donetsk ainda sob controle ucraniano.

Aliados europeus da Ucrânia e dos EUA, que têm defendido um acordo favorável a Kiev e com punições a Moscou, estão na prática apartados das discussões. Mesmo entre si, têm também mostrado discordâncias sobre os termos da paz, até aqui ditada por Putin.

O principal deles é o plano da Comissão Europeia de tomar R$ 1,3 trilhão de reservas russas congeladas, a maior parte na Bélgica, para lastrear um empréstimo visando cobrir as despesas ucranianas em 2026 e 2027.

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Os belgas são contrários, dizendo que isso irá expor o país a processos internacionais. O premiê Bart de Wever causou furor na quinta (4) ao dizer que "é uma ilusão achar que a Rússia pode perder a guerra".

Sem uma derrota, Moscou inevitavelmente será reintegrada ao sistema econômico global e poderá pedir a devolução de seu dinheiro. Nesse caso, segundo a proposta inicial dos europeus, quem bancará o empréstimos serão os próprios países do bloco continental.

A chefe da política externa da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou neste sábado que os EUA continuam como o principal aliado do bloco. Além dos desdobramentos da negociação, até aqui sem avanços, a declaração sucede ainda a divulgação de um documento estratégico de política externa do governo Trump em que a Europa é apontada como vítima de um "apagão civilizatório", indicando que o continente pode, no futuro, deixar de ser considerado um aliado confiável.

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