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Rússia envia a julgamento jornalista americano acusado de espionar fábrica de tanques para a CIA

FolhaPress 13/06/2024 20:46

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Rússia enviou a julgamento nesta quinta-feira (13) o jornalista americano Evan Gerchkovitch, do jornal The Wall Street Journal, por supostamente coletar informações sobre uma fábrica de tanques a pedido da CIA, a agência de espionagem dos Estados Unidos.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Gerchkovitch, que foi detido em março de 2023 na cidade de Ecaterimburgo, vai enfrentar agora um processo que pode condená-lo a até 20 anos de prisão. Os serviços de segurança russos dizem que ele foi pego em flagrante enquanto tentava obter segredos militares.

De acordo com a ONG Repórteres Sem Fronteiras, a Rússia não apresentou nenhuma prova da suposta espionagem por parte do jornalista. Gerchkovitch, a família dele, o Wall Street Journal e o governo dos EUA negam veementemente a acusação. Segundo o diário americano, ele tinha credenciais de imprensa fornecidas pelo Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

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O Wall Street Journal disse em nota nesta quinta que a acusação era "falsa e infundada, cheia de mentiras calculadas e explícitas". O presidente Joe Biden chamou a prisão do jornalista de "completamente ilegal".

De acordo com as autoridades russas, Gerchkovitch será julgado em Ecaterimburgo, mas não há prazo para o início do processo, e ainda não se sabe se as sessões serão públicas.

"A investigação confirmou, com provas documentais, que Gerchkovitch coletou informações secretas sobre a produção de equipamento militar seguindo instruções da CIA na região de Sverdlovsk em março de 2023", afirmaram em nota os procuradores encarregados do caso. "Ele utilizou métodos cuidados e conspiratórios." As provas citadas pela Procuradoria não foram divulgadas.

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Em uma declaração conjunta, o publisher do Wall Street Journal, Almar Latour, e a editora-chefe, Emma Tucker, disseram que "a decisão da Rússia de realizar um julgamento de fachada não é surpreendente, mas nem por isso deixa de ser revoltante".

"Evan passou 441 dias preso injustamente simplesmente por fazer seu trabalho. Evan é um jornalista, e a tentativa do governo russo de atacar sua reputação é repugnante." Gerchkovitch foi o primeiro americano a ser detido na Rússia sob acusação de espionagem desde o fim da Guerra Fria.

Em dezembro, o jornalista recebeu a visita da embaixadora dos EUA na Rússia, Lynne Tracy, que disse que ele estava tentando manter um bom humor na prisão e se preparar para o julgamento "de um crime que não cometeu".

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Em fevereiro, Putin sinalizou que aceitaria libertar Gerchkovitch em troca de Vadim Krasikov, um suposto espião russo que está preso na Alemanha por assassinato. Já no último dia 23, o candidato republicano à presidência dos EUA, Donald Trump, disse que vai usar sua relação pessoal com o presidente russo, Vladimir Putin, para conseguir a soltura de Gerchkovitch.

Trump disse em uma publicação de sua rede social, a Truth Social, que Gerchkovitch seria solto logo após as eleições americanas, marcadas para acontecer no dia 5 de novembro, quando o ex-presidente enfrentará Joe Biden.

Gerchkovitch é filho de imigrantes vindos da antiga União Soviética, e construiu uma carreira como jornalista focado na Rússia.Segundo o Wall Street Journal, ele é mantido na prisão russa de Lefortovo, a leste de Moscou, e fica a maior parte do tempo isolado. Passa 23 horas em uma pequena cela e sai para caminhar e fazer exercícios durante apenas uma hora por dia.

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