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Rússia critica sanções de Trump, e linha-dura vê declaração de guerra

FolhaPress 23/10/2025 08:15

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Rússia criticou nesta quinta-feira (23) a imposição de sanções a seu setor petrolífero pelo governo de Donald Trump. Para a chancelaria, a medida é contraproducente, enquanto a linha-dura do país a chamou de "declaração de guerra".

Senac 16 de julho — Capa (rail)

As punições, anunciadas na quinta (22), são as primeiras tomadas neste mandato do republicano, que até aqui apostava na via de negociação para acabar com a Guerra da Ucrânia. Agora, cancelou uma cúpula com Vladimir Putin e disse que "sentiu ser hora de sanções".

É mais uma mudança na condução americana em relação à guerra, após o cavalo de pau dado por Trump ao assumir, em janeiro. Após quase três anos de relações praticamente rompidas com Moscou, o americano aproximou-se de Putin, iniciando um vaivém que agora chegou a um ponto de inflexão.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, afirmou que as sanções são "extremamente contraproducentes" e repetem o padrão da gestão de Joe Biden, antecessor de Trump, que para ela fracassaram.

Trump e a nota do Departamento do Tesouro sobre o caso foram explícitos ao dizer que a medida visa forçar Putin a encerrar a guerra. No governo Biden, diversas sanções foram aplicadas à economia e a indivíduos russos, mas o republicano até aqui evitava isso.

"Nós precisamos de uma configuração de soluções negociadas que eliminem as raízes do conflito e garantam uma paz confiável", disse Zakharova, que reafirmou os termos russos: concessão total dos territórios que anexou ilegalmente em 2022 e ainda não controla e neutralidade militar da Ucrânia, entre outros.

SESC PICASSO

A linha-dura russa não foi tão diplomática, como seria esperado.

Seu expoente público mais vocal, o ex-presidente Dmitri Medvedev, afirmou que "as decisões tomadas são um ato de guerra contra a Rússia, e agora Trump se alinhou totalmente com a Europa maluca", em referência à posição mais dura de líderes continentais ante Moscou.

"Os Estados Unidos são nossos adversários, e o falante 'pacificador' deles agora embarcou totalmente em um caminho de guerra com a Rússia", disse Medvedev, número 2 do Conselho de Segurança do país, na rede Telegram.

Suas falas incendiárias viraram uma mistura de piada e termômetro, pois dão gravidade ao que pensam correntes mais radicais da elite e do governo russos.

Ele se envolveu antes em altercações diretas com Trump. Em agosto, o republicano disse ter enviado submarinos nucleares para perto da Rússia devido às provocações de rede social do ex-presidente.

Seja como for, as sanções inauguram uma nova fase de incertezas estratégicas em torno do conflito, um campo em que Putin vinha jogando com vantagem ante Washington.

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Desde as vésperas da invasão de 2022, o presidente russo usa a carta de seu arsenal nuclear, o mais poderoso do mundo, para enfatizar o risco das intervenções estrangeiras na guerra. Se não impediu que Kiev virasse um depósito de armas ocidentais, moderou a qualidade ofensiva do material enviado.

O próprio Trump passou esse recibo na sexta passada (17), quando recebeu na Casa Branca Volodimir Zelenski e negou ao presidente ucraniano o fornecimento de mísseis de cruzeiro Tomahawk, capazes de atingir alvos em toda a Rússia europeia.

Na quinta, ele reiterou ao lado do belicoso secretário-geral da aliança militar Otan, Mark Rutte, sua negativa, dizendo que quer acabar, não escalar a guerra. Já Zakharova criticou os exercícios nucleares anuais da Otan como desestabilizadores, sem comentar o fato de que a Rússia fez os seus na véspera.

Como seria previsível, Zelenski comemorou a mudança de posição de Trump. Em redes sociais, disse que agora o alvo deverá ser os estimados US$ 300 bilhões em reservas russas congeladas no exterior, 90% dos quais estão com a gestora belga Euroclear.

Zakharova voltou a dizer que tal movimento será equivalente a um roubo, ferindo o direito internacional e exigindo uma resposta dura da Rússia.

SANÇÕES PODEM AFETAR CHINA, ÍNDIA E BRASIL

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As sanções, como em todos os casos, precisam de tempo para serem avaliadas. O aspecto mais vital da medida é a punição secundária a entes financeiros que fizerem negócios com a Rosneft, estatal que é a maior empresa da Rússia, e a Lukoil, empresa privada ligada ao Kremlin que é a terceira maior.

A maior parte dos negócios das empresas no exterior passa por intermediários, até pelo fato de a Rússia ter sido desconectada do sistema de pagamentos internacional devido à guerra. "Traders" chineses, indianos e do mundo árabe dominam esse mercado.

A aposta das sanções é coibir esse grupo de negociar, sob medo de ser punido e ficar proibido de fazer negócios com os EUA. Isso pode afetar aliados de Washington, como a Hungria de Viktor Orbán, que ainda é grande compradora de petróleo russo, e mesmo o Brasil, que importa 60% de seu óleo diesel do país de Putin.

Mas o foco real de Trump é a China, maior compradora de petróleo russo, com quem trava uma dura guerra comercial. Antes de atacá-la diretamente, o americano foi no pescoço da então aliada Índia, impondo tarifas extras de 25% sobe seus produtos por ter se tornado a segunda maior importadoa de óleo da Rússia.

Já a União Europeia não escondeu as cartas. Em seu 19º pacote de sanções, divulgado em detalhes nesta quinta, incluiu uma "trader" chinesa e duas petrolíferas do país de Xi Jinping na lista de punidos.

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