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Rússia agora diz estar em contato com Trump sobre Ucrânia

FolhaPress 05/02/2025 09:13

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Pela primeira vez desde a posse de Donald Trump nos Estados Unidos, há pouco mais de duas semanas, a Rússia disse que está em contato com a equipe do novo presidente americano para discutir caminhos para um acordo sobre a Guerra da Ucrânia.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A informação foi dada nesta quarta (5) pelo porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, que ressaltou que o contato está em "nível ministerial" e não inclui ainda a esperada conversa entre o republicano e o presidente Vladimir Putin, que ambos já disseram estar no horizonte próximo.

A fala de Peskov é parte do balé em curso entre as duas maiores potências nucleares do planeta, e reflete a posição de Trump. Enquanto causa comoção geopolítica diária, ora no vaivém de uma guerra tarifária, ora prometendo tomar Gaza, ele reserva mais cautela ao tratar do problema mais agudo à sua frente.

Depois de passar a campanha e o tempo como presidente eleito dando sinais inequívocos de que apoiaria a posição russa na disputa com o vizinho, invadido por Putin em 2022, Trump passou a falar mais grosso, citando até mais sanções contra Moscou e seus aliados.

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O Kremlin não mordeu a isca e manteve a disposição de conversa, falando francamente que acreditava estar ante a teatralidade conhecida do americano.

Nesta semana, o novo chefe da Casa Branca foi além, testando uma nova abordagem: sugeriu que a Ucrânia, detentora de reservas de minerais vitais para a indústria eletrônica, deveria fornecer tais produtos para Washington.

Isso faz parte da outra dança, essa com maior impacto estratégico mas de prazo mais longo, entre Trump e o líder chinês, Xi Jinping. A China tem vastos depósitos das chamadas terras raras, que servem para fazer de chips a baterias de carros elétricos, e os EUA querem buscar paridade no campo.

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Mas a sugestão de Trump, que vai em linha com o perfil de negociador empresarial que ele tenta vender, foi lida também como uma alternativa ao corte no fornecimento de ajuda militar a Kiev. Em outras palavras, como o próprio Peskov havia dito na terça (4), o presidente quer algo em troca pelos bilhões de dólares enviados aos ucranianos.

Se isso soa como pressão, e é, ainda assim é melhor para o presidente Volodimir Zelenski do que as sugestões de Trump de que simplesmente cessaria a ajuda à Ucrânia, que mobilizaram os aliados europeus de Washington a formar um grupo para tentar centralizar e aumentar seus esforços de guerra por procuração com os russos.

Em campo, a escalada que marca este ano segue com o mesmo padrão. A Rússia avançou mais em solo e anunciou ter tomado duas localidades, uma em Donetsk (leste) e outra em Karkhiv (norte), expandido sua atividade nas frentes de batalha.

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Os bombardeios diários continuam, com uma caso particularmente mortífero na terça, quando cinco pessoas morreram em Sumi (nordeste da Ucrânia).

Além disso, Moscou tem chamado a atenção com uma intensificação nas suas patrulhas com bombardeiros estratégicos, destinados a ataques nucleares. Foram três desde a semana passada, duas no Ártico e outra, perto do Japão.

A mais recente foi na terça, quando caças F-35 noruegueses acompanharam o voo de dois quadrimotores Tu-95MS que estavam escoltados por aviões Su-30. Não houve incidentes, apenas a demonstração de prontidão e força de lado a lado que caracteriza essas ações.

Do lado ucraniano, Kiev tem aumentado a frequência de ataques contra instalações petrolíferas russas. Ao menos três refinarias e depósitos de combustível foram atingidos por drones do país desde a semana passada. O caso mais recente foi nesta quarta, quando uma refinaria em Krasnodar (sul) pegou fogo após ser atingida.

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