Rodrygo elogia geração da seleção, mas alerta: ‘Falta provar com um título’

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O atacante Rodrygo falou sobre o momento da seleção brasileira que estreia nesta segunda-feira (24) na Copa América. Para o camisa 10, a geração atual é muito boa, mas ainda falta provar a qualidade ganhando um título.

“Chegou a hora de conquistar um título que é importante para a geração que está começando e tem muita qualidade, mas falta provar com um título. É um lugar especial. Vamos melhorar, ajustar e temos tudo para conquistar”, afirmou.

O camisa 10 também revelou que tem mantido conversa com Neymar durante a preparação. “Nos falamos ontem ou antes de ontem. Sempre deixo claro que, por mais que eu seja o 10 agora, a camisa é dele. Substituo ele por um momento e o espero de volta. Sempre vou falar do Neymar com sorriso no rosto e brilho nos olhos. É meu ídolo, quem mais gosto de ver. Ele deve vir, vou pegar dicas e preciso aprender com o melhor.”

Rodrygo ainda falou sobre a dupla com Vinicius Jr., que será repetida na seleção brasileira, e como o trabalho de Carlo Ancelotti no Real Madrid poderia ajudar a equipe de Dorival.

“Não dá para contar muito os segredos, mas é legal que sempre foi mais o Vini na esquerda e eu no centro e direita. Dificilmente tinha essa troca. Ancelotti descobriu a nova função do Vini por dentro. Contra o City eu joguei na esquerda e ele por dentro, deu certo. Fizemos contra os EUA. Quando sai a escalação, pensam que vou de 9 e ele na ponta, mas era o contrário. Trouxemos para cá e o resto é segredo”.

Confira outras respostas de Rodrygo em entrevista coletiva:

– Versatilidade e esquema móvel do Dorival

“Essa é a pergunta que mais recebo. Sobre versatilidade, poder jogar em vários lugares. Eu gosto disso, na seleção jogo um pouco diferente do clube e isso me faz bem também, jogar em todas. Isso abre um leque para o Dorival e me sinto cômodo onde ele me colocar”.

– Camisa 10

“Uma honra vestir a camisa mais pesada da história. É responsabilidade grande e eu assumo, mas a gente fala sobre dividir responsabilidade, conversamos disso no vestiário porque assim vamos ser mais fortes. É um prazer, sei da responsabilidade, os olhos do mundo inteiro em mim com essa camiseta. É fazer as coisas bem para responder à altura”.

– Bola de ouro

“Um tema difícil. Tem jogadores na minha frente e sou consciente, apesar dos bons números. Me cobro muito. São bons números, mas poderia ter sido muito melhor, me colocando em outro patamar. Tudo pode acontecer. Jogo com o melhor do mundo, o Vini, e tem muitos na briga. Estou caminhando, sendo melhor a cada temporada. Me cobro muito e acho que meus números poderiam ser melhores pela minha qualidade. Que eu aumente os números na Copa América”.

– Entrosamento com o Vini

“Queima umas etapas ter entrosamento com seu companheiro. Jogamos há muito tempo juntos. Paquetá e Bruno já jogaram juntos também. Esse entrosamento ajuda muito e facilita o Dorival para as instruções. Passamos movimentações dos clubes para ele também e ele pode usar, adapta. É muito importante ter esse entrosamento, quem jogou junto trazer isso para a seleção é importante”.

– Estreia

“Bate a ansiedade da estreia. Vai ser difícil, queremos que o jogo fosse hoje, mas é bom ter mais tempo para treinar e evoluir. Estamos muito ansiosos. Vai ser difícil, mas estamos preparados”.

– Estádios americanos

“Muito legal. É um sonho para todos estar aqui nos EUA, jogar Copa América aqui. Tivemos apresentação da Copa América, de como seria, e ficamos animados pela estrutura, tudo que está por trás do jogo. Estamos muito ansiosos para jogar em estádios lindos assim e esperamos que o gramado também esteja bom para ajudar no espetáculo”.

– Fase artilheira e pressão boa do povo brasileiro

“É uma pressão boa. Fico feliz por ter essa responsabilidade, é sinal de algo bom e quero continuar. Dividimos responsabilidade, mas uns têm um pouco a mais, principalmente os da frente, que são quem mais faz gols. Eu, Vini, Endrick, Martinelli, Savinho, Evanilson… É normal, fico feliz que vão para me ver e quero estar cada vez melhor para responder à altura ao que esperam”.

– Pressão por título

“Nervosismo sempre bate, mas de forma boa. Pressão boa. Vejo como oportunidade, não como pressão. Oportunidade do primeiro título pela seleção, que sonhei desde pequeno. Quero agarrar com unhas e dentes, não posso deixar passar. Vou dar meu máximo todos os dias. Nosso time é muito bom, estamos crescendo e chegou a hora de botar toda a qualidade para fora”.

– Meta na Copa América

“Nunca tento traçar objetivos individuais. Sempre vem o grupo primeiro, é nosso discurso. Primeiro o grupo, depois o individual. Nunca traço meta de gols para não limitar também. Se eu falo cinco e faço cinco, acabo limitando. Quero melhorar e metas não combinam comigo”.

– Segredo de estar sempre tranquilo

“Frio na barriga todos sentem, quem falar que não sente está mentindo. Sou tranquilo, demonstro isso, e tenho meus momentos de nervosismo e tranquilidade. É minha forma de ser e sempre fui assim”.

– Dimensões do campo

“Assunto complicado. Estamos sentindo um pouco, tentando se acostumar nos treinos. Foi diferente contra os EUA, não tinha tanto espaço, gosto de jogar entrelinhas e nunca tinha espaço. É um tema complicado, mas vamos nos acostumar e vamos ver a forma certa de jogar”.

– Entrosamento do ataque

“Melhoramos a cada dia, entrosando mais, com o Endrick ou não, qualquer um da frente. Dorival fala que pode fechar os olhos para escalar e precisa continuar a mesma coisa. Eu jogo em várias funções, por dentro preciso cumprir função, por fora preciso ter função de ponta. Dorival deixou tudo preparadinho e agora é levar para o jogo”.

– Reconexão com o torcedor

“Saí cedo do Brasil. Não que percamos contato, mas fora é uma forma de demonstrar o orgulho de ser brasileiro, levar o Brasil para fora. É diferente de estar no Brasil. Conquistar esse título é um sonho e coroaria a temporada depois do Campeonato Espanhol e Champions League. Seria perfeito”.

– Terapia para superar erro

“Terapia me ajudou muito. Não só sobre esse erro, mas sobre tudo na minha vida. Precisava ser melhor em todas as áreas, mesmo me considerando uma pessoa boa. Mando um beijo para a psicóloga Rosana, que me ajudou em tudo. Não consigo citar uma parte, mas melhorei relacionamento com todas as pessoas. De lá para cá as coisas não deram apenas certo, tive dificuldade, mas lido melhor. Antes era mais complicado. Hoje tenho visão melhor. Me ajudou muito”.

– Como trazer o torcedor de volta?

“No Brasil precisamos ganhar para provar algo, e é nosso objetivo. Não é algo ruim. Temos que ganhar, usando de exemplo a Argentina que ganhou a Copa América e depois a Copa. Ganhando esse título, demonstrando vontade em campo, o torcedor vai se sentir identificado”

– Existe desconexão com o torcedor?

“Com uma parte sim, que não se sente identificado. Outra parte apoia. É normal, não ganhamos há um tempo e ganhamos muito no passado. Querem ganhar de novo e tentamos resgatar. Treinamos para isso, para trazer tudo de bom do clube para cá. É metade e metade. E queremos trazer a outra metade para nós”.

– Experiência de Real Madrid na seleção

“É o que mais busco. Quero fazer o que faço de bom no clube na seleção. Momentos como foram os do City e de outras equipes. Sempre meu discurso é que o objetivo é repetir o que faço lá aqui, ganhar títulos e ser cada vez melhor”.

Compartilhe: