domingo, 3 julho, 2022
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Autor de sucessos, Walcyr Carrasco diz que melodrama também é inovação

GABRIELA SÁ PESSOA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) –

Autor de “Êta Mundo Bom” e “Verdades Secretas”, duas das novelas de maior sucesso da Globo no último ano, Walcyr Carrasco deu uma rara e extensa explicação sobre a própria obra na tarde de quinta (1º).

O novelista foi um dos palestrantes da 11ª edição do seminário Obitel, o Observatório Ibero-americano da Ficção Televisiva, na Universidade de São Paulo. Falou no calor de “Êta Mundo Bom”, trama das 18h que terminou há uma semana com a melhor audiência no horário desde 2007: 31,2 pontos na Grande São Paulo (cada ponto equivale a 197,8 mil espectadores individuais).

Ambientada na São Paulo dos anos 1940, dividia-se entre as ruas da capital e uma fazenda no interior, de onde o caipira Candinho (Sérgio Guizé) parte em busca da mãe biológica. Para seu autor, a novela “resgatou o melodrama tal como ele é, com todas as regras [do gênero]”

Segundo o autor, há algo de inovador em retomar a cartilha do folhetim eletrônico: “Resgatar o melodrama clássico não é uma novidade em si?”.

A ideia de escrever “Êta Mundo Bom” lhe ocorreu após rever “Candinho” (1954), filme de Mazzaropi -a novela e a construção do protagonista acabaram sendo uma homenagem à obra do mais famoso caipira brasileiro.

Voltar ao tema rural após as urbanas “Verdades Secretas” (2015) e “Amor à Vida” (2013) foi também um reencontro com sua memória afetiva de Carrasco.

“Marília [cidade no interior de São Paulo] tinha dois cinemas e meu pai me levava todos os dias. Quando não sabia ler, minha mãe lia as legendas para mim [em filmes estrangeiros]”, contou. “Guardei na memória todas as chanchadas da Atlântida, de Oscarito e Grande Otelo. E os filmes de Mazzaropi, independentes.”

NO ESCURO

Quando pensa num projeto, Walcyr conta já ter definidos o público-alvo, horário de exibição (se será às 23h, como “Verdades Secretas”, ou às 21h, como “Amor à Vida”) e os principais detalhes da trama.

“Minha novela já nasce inteira”, ele diz. “Em ‘Amor à Vida’, eu queria escrever para as 21h contra o politicamente correto. Criei um protagonista que era a bicha má [o Félix, vivido por Matues Solano]”.

Usou o personagem para debater homofobia dentro das famílias. No folhetim, o pai rejeitava o filho em razão de sua opção sexual. O próprio Félix, casado com uma mulher durante boa parte da trama, não aceitava a si mesmo, o que explicava sua vilania. “São situações típicas das sociedades latino-americanas, que são reprimidas, mas fingem que não tem repressão.”

O tipo é comum no rol de personagens do autor, que revelou ter predileção pelos excluídos. Para os oprimidos -um caipira rejeitado à procura da mãe ou a modelo de “Verdades Secretas” que precisa se prostituir aos 16-, escreve histórias de superação.

Emendando sucessos no ibope -“Verdades Secretas” chegou aos 27 pontos, recorde para o horário na Globo-, o novelista diz rejeitar fórmulas de sucesso. “Quem tenta teorizar [fórmulas] quebra a cara. A mesma história contada por outra pessoa, ou com outro ator, pode não dar certo”, opina.

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