quarta-feira, 18 maio, 2022
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2 – Aclamada pela crítica, ‘UnREAL’ debate racismo na mídia em novo ano

GABRIELA SÁ PESSOA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A obsessão da TV por reality shows não vai ter fim. A previsão é de Sarah Shapiro, produtora que fez carreira nos bastidores do concurso de namoro “The Bachelor” e foi indicada ao Emmy ao criticar o gênero no roteiro de “UnREAL”, série que estreou sua segunda temporada no Brasil nesta segunda (5).

“São negócios rentáveis. Muito baratos de fazer e os lucros são imensos. Não vai parar, eles vão ser sempre parte da televisão”, diz ela, em conversa por telefone com jornalistas da América Latina.

Aclamado pela crítica, o primeiro ano expôs a farsa por trás de “Everlasting”, um reality fictício em que garotas disputam um final feliz com um solteiro rico e bonitão. Diálogos forçados, valsas e vestidos esvoaçantes são uma referência clara a “The Bachelor”, onde Sarah trabalhou por seis anos, até entrar em colapso por uma depressão.

Parece ter lidado com o passado ao criar Rachel (Shiri Appleby), produtora inescrupulosa e uma espécie de alter ego da criadora do seriado. O discurso feminista da protagonista esbarra nas contradições emocionais que sente por trabalhar em um programa que reforça o estereótipo da mulher bela, recatada e à procura de um par.

“Quis produzir uma série sobre o que os realities fazem com as mulheres. Tendemos a vê-las [as participantes] como Barbies, mas são seres humanos”, afirma. “O lado ruim dos realities é que nos fazem pensar em nós mesmos como personagens, cruéis com os outros. Não como pessoas.”

Os puxões de tapete se refletem na equipe de “Everlasting”. Nos novos episódios, ao mesmo tempo em que reforça a amizade com sua chefe meio abusiva Quinn -papel pelo qual Constance Zimmer foi indicada ao Emmy de atriz coadjuvante-, Rachel precisa afirmar suas próprias decisões diante da superiora.

Uma delas é a proposta de escalar um jogador de futebol americano negro para o papel de bom partido no “Everlasting”, adicionando a questão racial ao debate sobre gênero e mídia encabeçado por “UnREAL”. Disputam o amor do rapaz uma sulista que veste um biquíni com a bandeira dos estados Confederados, símbolo dos defensores da manutenção da escravidão durante a Guerra Civil Americana, e uma ativista de direitos civis que critica o programa.

Descrente da veracidade de todo e qualquer reality show -“nenhum é totalmente real, são programas de TV que precisam criar drama”-Sarah Shapiro diz ver virtudes em alguns programas do gênero. “O ‘The Voice’ e o ‘Project Runway’ conseguem descobrir o talento de pessoas desconhecidas. É maravilhoso.”

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