O Regulador Independente do Futebol (IFR, em inglês) divulgou, nesta terça-feira, 13, a versão inicial do relatório "O Estado do Jogo", que apresenta as dificuldades financeiras enfrentadas pelo futebol inglês.
A amostra destaca que o país alcançou a marca de 9 bilhões de libras (cerca de R$ 59,7 bilhões na cotação atual) de receita na última temporada, mas que 94% dos 160 times estudados trabalharam com as contas no vermelho.
"Temos 32 clubes cujas contas apresentam reservas de caixa suficientes para menos de 30 dias de funcionamento. Portanto, se o proprietário abandonar o clube ou morrer repentinamente, o clube ficará insolvente e irá à falência", explicou David Kogan, presidente da IFR, em entrevista à Sky Sports.
Na média, um participante da Premier League gera oito vezes mais receita do que uma equipe da segunda divisão inglesa. Isso faz com que os integrantes da Championship realizem um gasto excessivo em busca de um lugar na elite.
Dezessete clubes da English Football League (EFL), que compila as segunda, terceira e quarta divisões, e da National League (quinta divisão) registraram despesas superiores às receitas.
"Há um problema de cobertura de caixa e liquidez dentro dos clubes, além de uma deficiência na gestão, especialmente na gestão financeira. Agora, estamos em condições de ajudar esses clubes a construir um futuro mais estável", falou Kogan.
"Estamos tentando nos antecipar ao problema e adotar uma abordagem intervencionista junto aos clubes que precisam de ajuda, para que alcancem uma situação de estabilidade e segurança. Muitos clubes chegam perto do precipício e dependem de uma única coisa: a chegada de um novo proprietário", finalizou.
O IFR também mostra três iniciativas que o órgão acredita que podem melhorar a situação: um novo acordo de distribuição de receitas entre a Premier League e a EFL, se licenciar aos times e intervir quando forem detectadas situações de risco e trabalhar para desenvolver controles de custos de longo prazo.