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Reino Unido: Starmer é pressionado a renunciar após derrota trabalhista em eleições locais

Estadão Conteúdo 12/05/2026 07:22

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, enfrenta pressão crescente para deixar o cargo após o Partido Trabalhista sofrer uma derrota expressiva nas eleições locais da semana passada - um resultado que, se repetido em uma eleição geral, poderia tirar o partido do poder.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Apesar da vitória ampla do Trabalhismo na eleição de julho de 2024, a popularidade do partido despencou, e Starmer tem sido apontado como um dos principais responsáveis.

As razões são variadas e incluem uma série de erros de política pública, uma percepção de falta de visão, uma economia britânica em dificuldade e questionamentos sobre seu julgamento - em especial a nomeação de Peter Mandelson como embaixador do Reino Unido em Washington, apesar das ligações do diplomata com o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.

Como voltar aos trilhos

A próxima eleição nacional no Reino Unido não precisa ocorrer até 2029, mas a política britânica permite que partidos troquem de líder no meio do mandato, sem a necessidade de uma eleição geral.

Muitos dentro do Trabalhismo acreditam que a única forma de recolocar o governo no rumo e afastar ameaças tanto da direita quanto da esquerda é Starmer sair - e o quanto antes.

"Temos de mudar e temos de fazer isso rapidamente", disse a deputada trabalhista Catherine West. "Temos de estabelecer um cronograma e virar esse navio."

Trocar de liderança, porém, é mais fácil na teoria do que na prática. Ao contrário do principal partido de oposição, o Conservador, o Trabalhismo não tem tradição de derrubar seus líderes. Ainda assim, há diferentes caminhos para uma eventual saída de Starmer - alguns mais diretos do que outros.

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O caminho mais fácil

A saída mais simples seria Starmer anunciar a intenção de renunciar, abrindo caminho para uma eleição interna pela liderança do Partido Trabalhista. Esse anúncio poderia ocorrer caso integrantes do gabinete lhe sinalizem, na reunião regular desta terça-feira, que ele perdeu apoio demais dentro do partido.

Se Starmer decidir deixar o cargo imediatamente, o gabinete e o órgão dirigente do Trabalhismo provavelmente escolherão um líder interino para ser primeiro-ministro, provavelmente alguém que não esteja concorrendo à liderança do partido. O vice-primeiro-ministro David Lammy poderia se encaixar nesse perfil.

Pelas regras do Trabalhismo, os candidatos precisam do apoio de um quinto dos parlamentares do partido na Câmara dos Comuns - número que atualmente é 81.

Mais de 70 parlamentares já disseram querer que Starmer anuncie um cronograma para sua saída. Isso é apenas um indicativo do descontentamento nas fileiras trabalhistas, já que ninguém ainda desafiou formalmente o primeiro-ministro.

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Se uma eleição interna for deflagrada, os candidatos que atingirem o patamar mínimo de apoio na Câmara dos Comuns também terão de obter o apoio de 5% das organizações partidárias locais, ou de pelo menos três entidades afiliadas ao partido - grupos como sindicatos e cooperativas.

Em seguida, membros elegíveis do partido e das entidades afiliadas votariam no líder por um sistema eleitoral que ranqueia os candidatos. O vencedor é o primeiro a obter mais de 50% dos votos.

O rei Charles III então convidaria o vencedor a se tornar primeiro-ministro e formar um governo.

O caminho não tão fácil

Starmer insistiu nesta segunda-feira, 11, que não vai renunciar, afirmando que uma saída agora "lançaria o país no caos".

Se Starmer não renunciar, ele pode enfrentar um desafio de um ou mais parlamentares trabalhistas.

A primeira a se mover foi West, que disse no sábado que tentaria concorrer à liderança do partido se o gabinete não removesse Starmer até ontem. West reconheceu que está longe de ter o apoio de 81 colegas necessário para forçar uma disputa, e seu gesto pareceu uma tentativa de pressionar possíveis candidatos mais conhecidos a se manifestarem.

Ao contrário do Partido Conservador, que tem histórico de se livrar de líderes como Margaret Thatcher em 1990 e Boris Johnson em 2022, o Trabalhismo não tem essa "memória muscular". Nenhum primeiro-ministro trabalhista jamais foi derrubado, embora Tony Blair tenha anunciado seu plano de renunciar em 2007 após uma série de renúncias de menor escalão.

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Os desafiantes teriam de cumprir os critérios de elegibilidade acima, mas Starmer automaticamente estaria na cédula.

Os potenciais candidatos

Entre os nomes vistos como potenciais aspirantes à liderança estão o secretário de Saúde, Wes Streeting, e a ex-vice-primeira-ministra Angela Rayner, que renunciou no ano passado após admitir que pagou imposto a menos na compra de um imóvel. O caso segue sob investigação.

Andy Burnham, popular prefeito da Grande Manchester, é amplamente visto como um dos nomes mais fortes. No momento, porém, ele não pode concorrer, pois não é parlamentar. No início deste ano, dirigentes do Trabalhismo bloquearam sua candidatura em uma eleição suplementar para a Câmara dos Comuns.

Ainda assim, se Starmer sinalizar que pretende deixar o cargo - por exemplo, na conferência anual do partido, em setembro - pode ser aberto um caminho para o retorno de Burnham ao Parlamento. Um deputado trabalhista em um distrito relativamente seguro poderia renunciar, criando a oportunidade para que Burnham dispute uma nova eleição suplementar. Vencê-la, no entanto, é outra história, se os resultados mais recentes das eleições locais servirem de indicação. Fonte: Associated Press.

*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

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