Brasil encerrou 2025 com 234,3 milhões de cabeças de gado, enquanto embarques de carne bovina chegaram a 3,85 milhões de toneladas
O rebanho bovino brasileiro encerrou 2025 com 234,3 milhões de cabeças, queda de 1,7% em relação ao ano anterior.
Foi a segunda redução anual consecutiva e o menor número de animais desde 2022, quando o país contabilizava 234,9 milhões de bovinos.
Depois de quatro anos de crescimento, o rebanho havia atingido o recorde de 238,6 milhões de cabeças em 2023. Em 2024, houve retração de 0,2%, para 238,2 milhões, seguida de uma queda mais acentuada em 2025.
O movimento indica uma mudança no ciclo da pecuária brasileira, com aumento dos abates e redução do número de matrizes mantidas para reprodução.
Exportações batem recorde
Mesmo com a diminuição do rebanho, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram níveis recordes em 2025.
Os embarques somaram 3,853 milhões de toneladas, crescimento de 20,7% em relação ao ano anterior.
A receita obtida com as vendas externas aumentou quase 40% e chegou a US$ 18,365 bilhões.
O desempenho ocorreu mesmo diante da sobretaxa aplicada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
Valor da produção também cresce
O valor da produção pecuária brasileira chegou a R$ 141,2 bilhões em 2025, alta de 6,2% em relação ao ano anterior.
A produção de leite respondeu por 63,4% desse total.
O setor lácteo também alcançou recorde pelo terceiro ano consecutivo, com produção de 36,7 bilhões de litros.
O resultado ocorreu mesmo com o menor número de vacas ordenhadas desde o início da série histórica, em 1974, refletindo ganhos de produtividade, investimentos em genética e mudanças no manejo dos rebanhos.
Abate de fêmeas aumenta
Segundo o levantamento, a redução do rebanho está relacionada ao crescimento dos abates nos últimos quatro anos, principalmente de fêmeas.
Pela primeira vez desde 1997, o número de fêmeas abatidas superou o de machos.
No curto prazo, o movimento contribui para ampliar a oferta de carne, mas também reduz a quantidade de matrizes disponíveis para reprodução.
Com menos fêmeas destinadas à produção de bezerros, a tendência é de menor oferta de animais para reposição nos próximos anos, fator que pode influenciar os preços do bezerro e da arroba bovina.
Centro-Oeste mantém maior rebanho
O Centro-Oeste continua concentrando o maior rebanho bovino do país, com 72,2 milhões de cabeças, equivalentes a 30,8% do total nacional.
A região, porém, registrou o terceiro ano consecutivo de queda, com redução de 3,7%.
O Norte apresentou recuo de 1,8%, para 63,4 milhões de animais.
No Sudeste, o efetivo caiu 1%, para 37,3 milhões de cabeças, enquanto o Sul registrou redução de 1,7%, encerrando o ano com 24,1 milhões.
O Nordeste foi a única região a ampliar o rebanho, com crescimento de 2,2%, chegando a 37,3 milhões de bovinos.
Municípios com maiores rebanhos
São Félix do Xingu, no Pará, permaneceu na liderança nacional, com 2,7 milhões de bovinos, número equivalente a 1,2% de todo o rebanho brasileiro.
Corumbá, em Mato Grosso do Sul, aparece em seguida, com 2,2 milhões de cabeças.
Porto Velho, em Rondônia, contabiliza 1,7 milhão; Cáceres, em Mato Grosso, soma 1,4 milhão; e Marabá, no Pará, tem 1,3 milhão.
Outros rebanhos atingem recordes
Enquanto o número de bovinos recuou, outros rebanhos brasileiros atingiram marcas históricas em 2025.
O efetivo de galináceos chegou a 1,6 bilhão de cabeças. O número de caprinos alcançou 13,5 milhões e o de ovinos, 22,3 milhões.
O rebanho suíno permaneceu praticamente estável, com cerca de 44 milhões de animais.