Raphael Claus voltou a falar sobre um dos episódios de maior repercussão de sua participação na Copa do Mundo. Mais de dois meses depois do torneio, o árbitro brasileiro comentou as críticas feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e defendeu a decisão tomada em campo.
Convidado do programa Altas Horas, neste sábado, Claus foi questionado sobre a dimensão que o caso ganhou fora das quatro linhas. Para ele, atuar em uma competição como a Copa exige preparação não apenas física e técnica, mas também mental.
"Importante que quando a gente vai para uma competição dessa magnitude tem que estar muito bem preparado não só na parte física, técnica, mas também mental pela exposição que a gente tem mundialmente. Importante ter os conceitos para tomar as decisão dentro do campo de jogo, e de forma correta, como foi nosso caso", afirmou.
O episódio aconteceu na vitória dos Estados Unidos por 2 a 0 sobre a Bósnia, no dia 1º de julho. Claus expulsou Balogun após revisar no VAR uma entrada dura do atacante em Tarik Muharemovic. Com o cartão vermelho, o jogador ficaria fora da partida das oitavas de final contra a Bélgica.
A punição, no entanto, acabou suspensa pelo Comitê Disciplinar da Fifa na véspera do confronto, permitindo que Balogun fosse a campo. A decisão aumentou a repercussão do caso e levou a discussão para além da arbitragem.
Segundo a imprensa americana, integrantes do governo dos Estados Unidos passaram a reunir informações para embasar um recurso contra a suspensão. Entre os materiais levantados estavam reportagens sobre Claus e sua participação na CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas, em 2024.
Na ocasião, o árbitro foi ouvido como testemunha durante as investigações sobre suspeitas de manipulação no Campeonato Brasileiro. As apurações, porém, não encontraram qualquer evidência que o ligasse a um esquema.
De acordo com o The New York Times, esse histórico foi citado por Trump em uma conversa com o presidente da Fifa, Gianni Infantino. O presidente americano também confirmou publicamente que pediu uma revisão do cartão vermelho e chamou Claus de "um pouco suspeito".
"Esse árbitro é um pouco suspeito. Se você verificar o passado dele... Eu não quero dizer isso, porque não gosto de criar polêmica, mas muito suspeito, como se eu pudesse te mostrar o histórico. Ele fez uma marcação que ninguém conseguiu acreditar, sabe? Até pessoas do outro lado", afirmou Trump.
Claus evitou entrar diretamente na discussão política e disse que tudo o que aconteceu depois da partida estava fora de seu controle.
"O que aconteceu após foge da nossa esfera. Para mim, foi muito positivo, principalmente o retorno que tive de apoio. Tanto das instituições que represento, que é a Fifa, Conmebol, a CBF e a Federação Paulista. E todos os brasileiros que torceram pelos árbitros que tiveram lá, tanto eu, o Wilton Sampaio, o Ramon Abatti. É uma lembrança que vou guardar positiva na minha carreira. Uma boa recordação", completou.
Apesar da repercussão e das críticas, Claus recebeu apoio da Federação Paulista, CBF e Conmebol. A atuação do árbitro brasileiro na partida também foi elogiada por Pierluigi Collina, chefe de arbitragem da Fifa.