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Radicais islâmicos tomam cidade estratégica para Assad na Síria

FolhaPress 05/12/2024 14:05

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Rebeldes liderados pelo grupo radical islâmico HTS tomaram nesta quinta (5) a estratégica cidade síria de Hama, bastião da ditadura de Bashar al-Assad cuja queda coloca em risco linhas defensivas vitais para Damasco e seus aliados russos e iranianos.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Segundo o comando do grupo, cuja sigla árabe significa Organização para a Libertação do Levante, em referência ao nome histórico da região que vai da Síria ao Líbano e Israel/Palestina, seus soldados invadiram após breves combates.

Depois de negar a invasão, o Exército sírio confirmou a ação e disse que iria redistribuir suas tropas na região para "preservar vidas civis e evitar combate urbano". Resta agora saber se as forças conseguirão se reagrupar em posições defensivas em torno da cidade, que com quase 1 milhão de habitantes é a terceira maior da Síria, ou fugirão.

A defesa de Hama havia virado prioridade para Assad depois que a surpreendente ofensiva rebelde tomou em poucos dias na semana passada Aleppo, a segunda maior cidade síria, que fica 136 km a noroeste pela estratégica rodovia M5.

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A partir dela, o caminho fica mais livre para os rebeldes descerem a estrada a sul: em 46 km estão em Homs (quarta maior cidade) e, mais 164 km, em Damasco (maior). Por evidente, há diversas fortificações no caminho, mas a facilidade da ofensiva mostra que elas não estão tão bem guarnecidas quanto se esperava.

A Rússia de Vladimir Putin, que desde 2015 intervém em favor de Assad na guerra, ficará numa situação bastante complexa. Há diversos postos militares russos em torno da região, que fica a meros 100 km da principal base aérea do Kremlin no Oriente Médio, Hmeimim, e a cerca de 115 km do porto de Tartus, operado por Moscou.

Nesta quinta, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que o seu governo acompanha de perto da situação em campo na Síria e seu apoio militar a Assad não mudou. Desde que invadiu a Ucrânia em 2022, contudo, Putin redirecionou equipamento e pessoal no país árabe para o conflito europeu.

Não se sabe exatamente quantos militares e mercenários russos se encontram na Síria hoje. Já foram mais de 5.000 no auge das operações pró-Damasco, que garantiram o controle de 70% do país —a cruenta batalha por Aleppo em 2016 sendo seu maior símbolo.

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A ofensiva rebelde foi o primeiro movimento significativo de linha de frente no conflito iniciado em 2011 desde que Rússia e Turquia, dois dos principais atores estrangeiros em campo na Síria, estabeleceram um cessar-fogo há quatro anos entre rebeldes apoiados por Ancara e a ditadura aliada de Moscou.

O arranjo não incluía inicialmente a HTS, que saiu de uma costela da rede terrorista Al Qaeda em 2016, mas o grupo esperou a conjunção de fatores: o foco russo na Ucrânia e o enfraquecimento da posição do Irã e seu preposto libanês Hezbollah, que atuavam em terra enquanto Putin dava sua maior contribuição com poder aéreo.

A guerra contra Israel, que destroçou o Hezbollah e expôs Teerã ao risco de confronto aberto com o Estado judeu, após trocas de ataques com mísseis e drones, complica os esforços da teocracia de manter a Síria sob sua influência.

Além disso, a Turquia tenta ocupar esse vácuo também, e deu apoio à HTS e outras facções de forma independente. O problemas para o presidente Recep Tayyip Erdogan é que com isso ele se indispõe tanto com Putin quanto com os EUA, que apoiam os curdos.

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Esse grupo étnico, rival de Ancara que ocupa uma grande faixa no nordeste sírio, também avançou algumas casas, e está em combate com forças de Assad.

A HTS, de olho em apoio do Ocidente, tem tentado dissociar-se de seu DNA terrorista. Seu líder, Abu Mohamed al-Golani (ou al-Joulani, dependendo da transliteração adotada), disse que Aleppo será governada por uma coalizão de grupos, incluindo moderados e seculares apoiados pela Turquia.

Por ora, os EUA e países europeus têm mantido distância. O Pentágono afirmou que acompanha o desenrolar da situação com preocupação, mas mantém a classificação de terrorista daquela fatia específica dos rebeldes.

Desde 2015, o Ocidente opera uma missão comandada por Washington contra o grupo terrorista Estado Islâmico, que chegou a conquistar vastas áreas na Síria e no Iraque. A repressão deu certo, e hoje a facção opera em alguns bolsões apenas, mas os americanos mantêm cerca de 800 soldados no país, ao lado de um grupo rebelde sírio.

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