‘Quer também?’, disse PM a outros atletas após atirar, segundo goleiro baleado

MACEIÓ, AL (FOLHAPRESS) – O goleiro Ramón Souza, 22, atingido por uma bala de borracha na coxa esquerda dentro de campo após o jogo entre Grêmio Anápolis e Centro Oeste, afirmou em depoimento à polícia que o PM que o baleou também ameaçou outros atletas durante o tumulto.

No relato registrado no boletim de ocorrência, Ramón afirma que pediu ao policial que abaixasse a sua arma, mas foi atingido logo em sequência, momento em que saiu gritando e correndo com dor. Enquanto isso, afirma o goleiro, o policial perguntava aos outros jogadores: ‘Quer também?’, com a arma apontada na direção deles.

O atleta foi socorrido e foi feito um procedimento de sutura dentro da ambulância, sob o comando do médico do Grêmio Anápolis.

De acordo com Ramón, a confusão começou com uma discussão entre um gandula e um jogador adversário, o que gerou o tumulto entre os times. O goleiro afirmou que a confusão já tinha cessado quando foi atingido e que o policial empurrou um atleta do time e também esbarrou o ombro em Ramón ainda no início do tumulto.

A mãe do atleta afirmou à Folha de S.Paulo que ele não jogará mais durante a Divisão de Acesso do Campeonato Goiano por conta do ferimento e que, devido à grande perda de sangue, chegou a desmaiar em campo.

“Estava muito calado, acho que com uma tristeza muito grande. Ele sangrou muito e desmaiou em campo. Ele disse que queimava muito, doía muito, perdeu as forças. A ambulância demorou bastante para fazer o socorro, mas, graças a Deus, ainda assim foi um grande livramento. Eu não consegui pregar o olho e fico imaginando se fosse em outro lugar, se esse policial atira na barriga dele, coisa assim, poderia ter causado algo muito mais sério”, lamentou Carliane.

O advogado Paulo Pinheiro, do Grêmio Anápolis, está acompanhando o goleiro durante depoimento na delegacia na manhã desta quinta-feira (11). Ramón passou por exame de corpo de delito ainda durante a noite desta quarta (10).

Segundo Pinheiro, será feita a representação na corregedoria da Polícia Militar, bem como os atos necessários na Justiça Desportiva e na Justiça comum para buscar reparação.

A Polícia Militar informou, por meio de nota, que foi determinada a abertura de um procedimento administrativo para apurar os fatos com rigor.

A corporação disse que reafirma o seu compromisso com o cumprimento da lei e reitera que não compactua com qualquer desvio de conduta praticado por seus membros.

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