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Quem foi Ali Khamenei, líder supremo do Irã

Religioso comandou o país por mais de três décadas e marcou política interna e externa com postura de confronto; fonte: Al Jazeera

Vitória News 01/03/2026 12:13

O aiatolá Ali Khamenei, morto aos 86 anos em um ataque atribuído a Estados Unidos e Israel, foi o principal dirigente político e religioso do Irã desde 1989. A trajetória e o papel desempenhado por ele ao longo de mais de três décadas foram detalhados em análise publicada pela rede internacional Al Jazeera.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Khamenei assumiu o posto de líder supremo após a morte do aiatolá Ruhollah Khomeini, figura central da Revolução Islâmica de 1979, que encerrou o regime da monarquia Pahlavi. Se Khomeini foi o principal ideólogo da revolução, coube a Khamenei consolidar o aparato político, militar e de segurança que passou a sustentar a República Islâmica.

Antes de se tornar líder supremo, Khamenei exerceu a Presidência do Irã durante a guerra contra o Iraque, na década de 1980. O conflito, que deixou centenas de milhares de mortos e devastou a economia, reforçou em sua visão a necessidade de manter o país em permanente estado de alerta contra ameaças externas.

Segundo analistas ouvidos pela Al Jazeera, a experiência da guerra moldou a leitura estratégica de Khamenei, marcada por desconfiança em relação ao Ocidente, especialmente aos Estados Unidos, e pela defesa de uma estrutura estatal fortemente voltada à segurança.

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Estrutura de poder e “economia de resistência”

Sob sua liderança, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) ampliou significativamente sua influência. O grupo deixou de ser apenas uma força paramilitar e passou a atuar também como ator político e econômico relevante, com presença em setores estratégicos da economia iraniana.

Khamenei incentivou ainda o conceito de “economia de resistência”, estratégia voltada à redução da dependência externa diante das sanções impostas por países ocidentais. Ao mesmo tempo, manteve postura cautelosa e frequentemente crítica quanto à aproximação com o Ocidente.

Apesar disso, autorizou negociações que resultaram no acordo nuclear de 2015, conhecido como Joint Comprehensive Plan of Action (JCPOA), firmado entre o Irã e potências mundiais. O pacto previa limitações ao programa nuclear iraniano em troca de alívio nas sanções. O acordo, porém, foi abandonado pelos Estados Unidos durante o governo de Donald Trump, o que levou Teerã a retomar gradualmente atividades de enriquecimento de urânio.

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Protestos e repressão

O governo de Khamenei enfrentou momentos de forte contestação interna. Em 2009, manifestações contra o resultado das eleições presidenciais foram reprimidas com uso da força. Em 2019, protestos relacionados ao aumento do preço dos combustíveis resultaram em confrontos e mortes.

Outro episódio de grande repercussão ocorreu em 2022, após a morte de Mahsa Amini sob custódia policial. As manifestações que se seguiram se espalharam pelo país e foram duramente reprimidas, segundo organizações de direitos humanos citadas pela Al Jazeera.

Eixo regional e confrontos externos

Na política externa, Khamenei apoiou a formação do chamado “eixo da resistência”, rede de alianças com grupos e governos na região, incluindo o Hezbollah no Líbano, o governo de Bashar al-Assad na Síria e movimentos armados em outros países do Oriente Médio. O general Qassem Soleimani, morto em 2020 em operação dos Estados Unidos, foi um dos principais articuladores dessa estratégia.

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Nos últimos anos, o aumento das tensões com Israel e com os Estados Unidos culminou em confrontos diretos e ataques a instalações militares e nucleares iranianas. O episódio que resultou na morte de Khamenei ocorreu em meio a essa escalada.

Legado e cenário pós-Khamenei

Para analistas citados pela Al Jazeera, o legado de Khamenei combina consolidação institucional da República Islâmica, fortalecimento do aparato de segurança e uma política externa baseada na dissuasão e no enfrentamento.

Ao mesmo tempo, críticos apontam que o modelo adotado contribuiu para o isolamento internacional e para o agravamento das dificuldades econômicas internas, intensificadas por sanções e instabilidade cambial.

Com a morte do líder supremo, o Irã entra em processo de transição previsto em sua estrutura constitucional, cabendo à Assembleia dos Especialistas a escolha do novo dirigente máximo do país.

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