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Quem é Emily Hand, refém de 9 anos libertada pelo Hamas após ser dada como morta

FolhaPress 01/12/2023 17:06

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Disseram a Thomas Hand, 63, que sua filha Emily, então com 8 anos, havia sido morta pelo Hamas no dia 7 de outubro. Ela tinha dormido na casa de uma amiga de 13 anos, uma festa do pijama num dos kibutzim atacados.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Só no Be'eri, os terroristas mataram ao menos 130 pessoas naquele dia. Thomas contou à CNN que, dois dias após o massacre, líderes locais o avisaram: "Encontramos Emily. Ela está morta".

O irlandês baseado em Israel disse que sentiu alívio. "Falei 'sim!', 'sim!', e sorri porque essa era a melhor notícia das possibilidades que conhecia. Então a morte foi uma bênção, uma bênção absoluta".

Qual alternativa seria melhor? Ou ela estava morta ou estava em Gaza, talvez sem água e comida, "num quarto escuro, rodeada por sabe-se lá quantas pessoas, aterrorizada a cada minuto de cada dia, possivelmente por anos".

No começo de novembro, as Forças Armadas israelenses disseram ser "altamente provável" que Emily, no final das contas, estivesse viva e mantida refém pelo outro lado. Não haviam encontrado quaisquer restos mortais da criança no Be'eri. Haviam, em compensação, rastreado celulares da família da amiga que a convidara para uma "noite das meninas" na véspera do atentado. O paradeiro era Gaza, sob intenso bombardeio de Israel.

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Após descobrir que sua filha poderia estar viva, Thomas se juntou aos familiares que fazem campanha para o governo de Binyamin Netanyahu não desistir de reaver os israelenses capturados.

Passaram-se algumas semanas e, no dia 25 de novembro, Emily e Hila Shoshani, sua amiga, foram incluídas entre os reféns liberados pelo Hamas em meio a um cessar-fogo com Israel. A mãe de Hila permanece presa na Palestina.

Autoridades israelenses liberaram o vídeo da reunião entre Thomas e Emily --a mãe de Emily morreu sete anos atrás em decorrência de um câncer. Ele falou sobre o fim de um "longo e doloroso pesadelo" pouco antes de se reencontrar com a garota, que vestia um pijama rosa da Disney --uma blusa com estampa do Bambi e uma calça da Minnie. Ela correu em sua direção, e ele a chamou pelo apelido de Emush. "Minha Emily está voltando para casa; quebrada, mas inteira."

Depois do publicizado abraço com o pai, a menina também foi recebida por seus dois cachorrinhos e pela irmã mais velha, Natali --a mãe dela, madrasta de Emily, foi assassinada pelos terroristas em outubro. No caminho para casa, segundo Thomas, a primeira coisa que a caçula fez foi colocar uma música da Beyoncé para tocar.

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O pai se fez duas promessas desde que a filha voltou: levá-la a um show da estrela americana e garantir-lhe a "melhor festa de aniversário de sua vida". A menina completou 9 anos durante o cativeiro.

Natali e Thomas revelaram alguns detalhes da temporada de Emily em Gaza, que ela chama de "a caixa". A menina aos poucos vem se abrindo com a família. Relatou que membros do Hamas a faziam mudar várias vezes de endereço, para fugir das bombas lançadas por Israel. E que em nenhum momento alguém bateu nela ou a molestou, como tanto temia o pai.

Outros detidos não tiveram a mesma sorte. Eitan Yahalomi, 12, também liberado, apanhou e foi forçado a assistir a vídeos da chacina de 7 de outubro, segundo sua tia Deborah.

Café da manhã e água não faltavam àqueles feitos reféns, mas almoço e janta eram mais irregulares. Emily aprendeu a gostar de pão com azeite, contou o pai à CNN. Seu rosto rechonchudo, de criança saudável, voltou bem mais magro. O cabelo tinha piolhos.

Quando questionada sobre o tempo que ficou sob jugo dos sequestradores, respondeu: "Um ano". Foram 49 dias. "A parte mais chocante e perturbadora de encontrá-la é ver que ela só sussurrava, não dava para ouvir. Tive que colocar meu ouvido perto da boca dela. Ela tinha sido condicionada a não fazer nenhum barulho."

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Michael Higgins, presidente da Irlanda, divulgou um comunicado para acolher a israelense de ascendência irlandesa: "É minha grande esperança que Emily possa agora, apesar de tudo, desfrutar de uma vida feliz e plena depois do que tem sido uma situação inimaginável para uma criança tão pequena".

Mais de cem reféns já foram soltos durante a trégua na guerra --acredita-se que, ainda assim, sejam menos da metade do grupo sequestrado. Todos, até aqui, mulheres e crianças trocados por mulheres e adolescentes palestinos que estavam em prisões israelenses.

Estima-se que pelo menos 30 crianças israelenses morreram na investida contra Israel, e outras dezenas foram raptadas. A retaliação matou mais de 15 mil palestinos, 40% deles menores de 18 anos, de acordo com o Ministério da Saúde local, sob controle do Hamas.

Nas palavras do secretário-geral da ONU, António Guterres, Gaza está se tornando um "cemitério de criança". E não só palestinas. Segundo o Hamas, Kfir Bibas, um bebê de 10 meses tomado do kibbutz Nir Oz, morreu ao lado da mãe e do irmão. Os três teriam sido vítimas de uma bomba israelense.

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