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Qual é o legado que James Rodríguez deixou no São Paulo

FolhaPress 27/05/2024 11:14

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O que era pra ser uma contratação histórica, um case de sucesso mundial, se tornou novela no São Paulo. A frase que se tornou tema da contratação de James Rodríguez -"Coisas incríveis acontecem aqui"- demonstrava o tamanho da expectativa do time tricolor em cima do colombiano, mas o casamento não foi feliz.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Mesmo com pouca contribuição dentro de campos, o presidente Julio Casares é enfático ao dizer que a contratação de James Rodríguez trouxe os benefícios que o clube queria. Mas quais são eles?

O colombiano é visto internamente como um jogador global que extrapola a bolha do futebol. Esse tamanho fora das quatro linhas trouxe ao São Paulo entrada e visibilidade em áreas que não teria de outra forma.

O vídeo de apresentação da contratação do meia rendeu 21 milhões de visualizações no Instagram. James tem mais de 50 milhões de seguidores, quase dez vezes o número do clube paulista na rede social.

O São Paulo avalia que James possibilitou acordos comerciais maiores. O São Paulo acredita que não teria fechado alguns dos recentes contratos que fechou sem a visibilidade que o meia trouxe.

Desde a chegada de James, o São Paulo: 1. assinou o naming rights do MorumBIS; 2. fez acordo com a Live Nation para shows no estádio; 3. trocou o patrocinador máster para a Superbet; 4. trocou o fornecedor de material esportivo para a New Balance (que também patrocina o jogador).

O Tricolor também vê a chegada de James como responsável direta pela contratação de Lucas. Ainda na Colômbia, antes de vir ao Brasil, James já enviava mensagens e ligava para Lucas para dizer que agora só faltava ele acertar.

SESC PICASSO

A contratação do colombiano também é vista internamente como decisiva para a vitória na semifinal da Copa do Brasil (mesmo sem entrar em campo). A chegada de James, e o posterior acerto com Lucas, elevou o moral interno no vestiário e fez com que o time acreditasse que, com aqueles reforços, o time só poderia brigar por títulos.

E NO CAMPO?

"Parece que o James não entendeu o que é o São Paulo, e o São Paulo também não entendeu o James". A frase era dita em voz baixa pelos corredores do MorumBIS entre uma polêmica e outra. O meia parecia querer um esquema montado para ele, enquanto o São Paulo queria que ele se encaixasse no esquema do time. E se adequar ao modo de jogo do Tricolor exigia de James uma intensidade que ele nunca teve na carreira.

O São Paulo via a necessidade de James se adaptar ao clube, mas o que o time tricolor queria do meia ele não conseguiu dar. Dorival Jr, Thiago Carpini e Luis Zubeldía passaram pelo comando técnico do São Paulo e James não deslanchou com nenhum deles.

Foram 22 jogos de James Rodríguez com a camisa do São Paulo: dois gols e quatro assistências.

Ele iniciou a pré-temporada de 2024 constantemente em "controle de carga" até que decidiu sair do São Paulo pouco depois de se recusar a viajar com o time para Belo Horizonte na final da Supercopa.

CONTADOR - BONUS

James se arrependeu, pediu desculpas ao grupo e pediu à diretoria para ficar. Ele foi reintegrado, fez alguns jogos, marcou gol, deu assistência, mas voltou a se lesionar.

Com a chegada de Zubeldía, ele deixou de ser relacionado por opção do treinador. Se Carpini era entuasiasta de ter o colombiano como um camisa 10, Zubeldía não via com bons olhos um atleta de pouca intensidade no seu time.

E A PARTE FINANCEIRA?

O São Paulo gasta cerca de R$ 1 milhão mensal com o salário de James e mais quase R$ 500 mil desde janeiro com luvas por assinatura. O acordo feito para receber as luvas só a partir de janeiro foi visto internamente como mágico

No fim, cada participação em gol do colombiano custou perto dos R$ 2 milhões: foram dois gols e quatro assistências. O total gasto entre salários e luvas do meia até aqui fica na casa dos R$ 12 milhões.

JAMES CHEGOU A ENCANTAR NOS TREINOS

A chegada do colombiano foi cercada de expectativa e essa foi confirmada nos treinos. Quem via as atividades de James no CT da Barra Funda se encantava e alguns chegavam a apostar nele para o prêmio de craque do Paulista do ano seguinte.

A visão de jogo demonstrada por James encantava e o seu toque refinado na bola trazia um sentimento de que se ele conseguisse repetir o desempenho no campo de jogo, "ninguém segura o São Paulo".

A falta de intensidade, porém, fez o jogador ficar mais no banco de reservas do que em campo, seja com Dorival, Carpini ou Zubeldía.

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"Falei com ele (James) outro dia, veio conversar comigo, estava muito aborrecido. Ele falou: 'Poxa, Muricy, sou um jogador raiz', e eu disse que sabia. Falei que a gente adora ver ele treinar, e outro dia ele treinou bem de novo. Sempre dou os parabéns para ele, porque é gostoso ver o que ele faz. [...] O Dorival chamou ele (James) e eu estava junto na mesa para falar da intensidade dele, e teve uma hora que falei: 'Dorival, posso dar uma opinião? O James nunca vai se transformar em um cara físico'. Ele nunca foi um jogador assim, nunca vai ser um superatleta. Não vai procurar no James uma intensidade", conta Muricy Ramalho.

O QUE PENSAM OS JOGADORES

"O James é um jogador que dispensa comentários pela carreira que ele fez. Óbvio que no São Paulo não é o que ele esperava, não é o que o torcedor esperava. Mas ele ainda é jogador nosso, tá treinando todo dia, mas é uma situação do clube, do treinador, dele próprio? não cabe aos jogadores falar. Enquanto ele for jogador do São Paulo a gente vai apoiar e vamos ver o que acontece nos próximos passos", afirma Lucas.

"É um cara que dia a dia aqui se entrega no máximo, a gente aprende muita coisa com ele, além de ser uma excelente pessoa, seja o que ele vai fazer com a sua vida no futebol, se é aqui ou fora, que seja o melhor. Por agora é nosso companheiro e vai seguir assim até que se define onde vai e se fica", diz Ferraresi.

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