Eleição leva lideranças municipais à Assembleia Legislativa e mantém nomes conhecidos na Câmara dos Deputados
Por Marcelo Rossoni
O Partido dos Trabalhadores (PT) registrou uma renovação parcial de seus quadros parlamentares no Espírito Santo nas eleições de 2026. Açucena, Karla Coser e Julio da Fetaes conquistaram cadeiras na Assembleia Legislativa, enquanto Jack Rocha foi reeleita deputada federal e João Coser garantiu seu retorno à Câmara. No Senado, o partido sofreu uma perda: Fabiano Contarato não conseguiu renovar o mandato.
O resultado abre espaço para lideranças de uma geração mais recente, mas mantém políticos com longa experiência eleitoral. Para avaliar essa mudança, é preciso considerar o caminho percorrido por cada eleito. Uma primeira vitória para determinado cargo pode representar tanto a chegada de uma liderança jovem quanto a continuidade de uma carreira iniciada muitos anos antes.
Açucena é o caso mais evidente de renovação geracional entre os eleitos do partido. Aos 27 anos, a vereadora de Cariacica será a integrante mais jovem da próxima legislatura estadual. Enfermeira formada pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), participou do movimento estudantil e do Conselho Municipal de Saúde antes de exercer o mandato municipal.
Eleita vereadora em 2024, conquistou agora uma cadeira na Assembleia com 35.988 votos. Sua experiência parlamentar começou recentemente, embora sua participação política seja anterior. A vitória amplia o alcance de uma liderança que passou das organizações estudantis e sociais à Câmara de Cariacica e, em seguida, ao Legislativo estadual.
Karla Coser, eleita deputada estadual com 51.306 votos, já havia vencido duas eleições municipais. Chegou à Câmara de Vitória em 2020 e foi reeleita em 2024. Sua vitória estadual representa um novo passo numa trajetória conhecida pelo eleitorado da capital. Embora pertença a uma geração mais recente que os veteranos petistas, Karla não pode ser apresentada como uma novata nas urnas.
Julio da Fetaes também chega com experiência acumulada. Eleito com 17.775 votos, Julio Cezar Mendel construiu sua atuação na agricultura familiar e no movimento sindical rural. Presidiu a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado do Espírito Santo (Fetaes) e já havia ocupado temporariamente uma cadeira na Assembleia, em 2024, durante licença de João Coser.
A eleição lhe assegura uma cadeira conquistada diretamente pelo voto, depois da passagem como suplente. Sua liderança, porém, antecede essa experiência parlamentar. Em 2022, iniciava o terceiro mandato consecutivo na presidência da Fetaes. É um representante com trajetória sindical consolidada que amplia sua participação na política eleitoral.
Na Câmara dos Deputados, o resultado preservou nomes conhecidos. Jack Rocha manteve o mandato, enquanto João Coser retorna à instituição onde atuou entre 1995 e 2003. Para Coser, portanto, a eleição de 2026 representa a retomada de uma função que já exerceu, depois de outras etapas de sua carreira política.
Coser e Iriny Lopes pertencem a uma geração com participação nas urnas há décadas. Iriny já integrava a Câmara dos Deputados na legislatura iniciada em 2003 e disputou a Prefeitura de Vitória em 2012. A comparação dessas trajetórias com a de Açucena mostra que a eleição reuniu diferentes tempos de experiência dentro do mesmo partido.
No Senado, o PT apostou na continuidade de Fabiano Contarato, eleito para o cargo em 2018. Ele recebeu 521.431 votos, equivalentes a 12,94% dos votos válidos, e terminou em quarto lugar. As duas vagas foram conquistadas por Renato Casagrande e Evair de Melo. A derrota retira do partido a cadeira que ocupava na representação capixaba.
O balanço das urnas aponta, assim, uma renovação concentrada na bancada estadual, com diferenças entre seus integrantes. Açucena traz uma experiência parlamentar recente; Karla avança após dois mandatos municipais conquistados; Julio chega respaldado por anos de representação sindical. Na bancada federal, prevalece a continuidade de Jack e o retorno de Coser. A mudança de nomes e gerações abre possibilidades para o PT, mas a influência dessas lideranças na condução do partido dependerá também do espaço que ocuparão nas decisões da sigla.